Curiosidades
Pompeia exibe moldes de vítimas da erupção do Vesúvio e revela momentos finais antes da tragédia
Nova mostra reúne 22 figuras preservadas pela catástrofe de 79 d.C. e apresenta, com base científica, como moradores tentaram sobreviver às horas finais da cidade romana
Uma nova exposição na antiga cidade de Pompeia revela detalhes tocantes sobre os momentos finais dos habitantes antes de serem soterrados pela soberania do Monte Vesúvio, em 79 dC A mostra, inaugurada nesta quarta-feira (11), reúne 22 moldes de vítimas preservadas por cinzas e detritos vulcânicos, oferecendo aos visitantes um retrato dramático das últimas horas de um dos mais devastadores desastres naturais da Antiguidade.
Os corpos foram reconstruídos por meio de uma técnica desenvolvida por arqueólogos, que consiste em preencher com gesso as cavidades deixadas no solo após a colocação dos cadáveres. Esse método permite recuperar as posições exatas em que as pessoas morreram, quando ondas de material escaldante e cinzas invadiram a cidade romana. As figuras expostas mostram moradores encolhidos, contorcidos ou tentando proteger familiares, capturando instantes de pânico e desespero.
Cenas de desespero preservadas por séculos
Entre os moldes expostos, algumas cenas chamam atenção pela dramaticidade. Em uma delas, duas pessoas parecem abraçadas; em outra, um homem seguro uma criança pequena enquanto cerra os punhos, aparentemente tomado pelo desespero. Próximo dali, acredita-se que um adolescente está envolto em uma capa, ao lado de uma mulher encontrada em 1976, perto de um dos locais da cidade.
Segundo especialistas, essa mulher provavelmente tentou fugir quando foi alcançada pelo material vulcânico. Ela foi encontrada com anéis de ouro e prata, moedas e uma pequena estatueta da deusa Ísis. Outro molde mostra um homem sentado, com os joelhos juntos ao peito e as mãos cobrindo o rosto. Uma das peças mais comoventes retrata uma criança de cerca de três anos, usando uma túnica, localizada na chamada Casa da Pulseira de Ouro, com sinais de inchaço nos lábios provocados pelo calor extremo.
A abertura da exposição foi conduzida pelo diretor do parque destruído, Gabriel Zuchtriegel. Segundo ele, a busca narra “a história de uma tragédia que destruiu uma cidade”, considerada o maior desastre natural da Antiguidade, mas que também deixou um legado histórico e destruição. A arqueóloga Silvia Bertesago destacou que o objetivo é relatar de forma científica o que ocorreu nas horas que antecederam a destruição da cidade.
Uma placa na entrada orienta os visitantes a percorrer o espaço “com respeito e silêncio”. Cada molde possui uma descrição detalhada sobre o local onde foi encontrado, os dados da descoberta e o estado em que o corpo estava.
Estima-se que pelo menos 16 mil pessoas tenham morrido na soberania. A maioria das vítimas teria sido asfixiada por imensa nuvem de cinzas e gases incandescentes liberados por umidade.
Como Pompeia foi destruída
A catástrofe se deu em duas etapas. Primeiro, uma gigantesca coluna de cinzas e pedras-pomes cobriu a cidade, transformando o dia em noite e provocando o desabamento de telhados. Em seguida, ondas piroclásticas — correntes de gás superaquecido e material vulcânico que avançam em velocidades comparáveis às de um furacão — atingiram Pompeia, matando instantaneamente quem ainda permanece na área.
A cidade foi enterrada por quase 1.700 anos, até ser redescoberta por engenheiros militares espanhóis no século XVIII. O ambiente sem ar preservau edifícios, objetos e até os instantes finais de seus moradores, criando um registro único de vida e de morte na Roma antiga.
Atualmente, as ruínas de Pompeia recebem cerca de quatro milhões de visitantes por ano e continuam a revelar novos detalhes sobre uma tragédia que, paradoxalmente, transformou a cidade em um dos sítios destruídos mais importantes do mundo.
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