Curiosidades

Ao mestre, com carinho: Mulambö conta como foi pintar o retrato de Heitor dos Prazeres durante desfile da Vila Isabel

Artista retorna à Sapucaí no Sábado das Campeãs, pintando ao vivo sobre tripé: 'Tive que equilibrar emoção, empolgação e o tempo do desfile'

Agência O Globo - 21/02/2026
Ao mestre, com carinho: Mulambö conta como foi pintar o retrato de Heitor dos Prazeres durante desfile da Vila Isabel
Mulambö - Foto: Reprodução / Instagram

Ligado ao carnaval desde a infância — primeiro nos desfiles de rua em Saquarema, sua cidade natal, e depois em São Gonçalo, com a Acadêmicos do Sossego (atual Acadêmicos de Niterói, que voltou à Série Ouro após se apresentar no Grupo Especial este ano) — Mulambö já havia desfilado entre os artistas convidados pelos carnavalescos responsáveis pelo título inédito da Grande Rio. Em 2024, a emoção se renovou com a homenagem da Vila Isabel a uma das maiores referências das artes visuais brasileiras, Heitor dos Prazeres, que garantiu à escola o terceiro lugar no carnaval carioca e volta hoje à Passarela do Samba.

Convidado novamente pelos carnavalescos Bora e Haddad, que no último ano trocaram a tricolor de Caxias pela azul e branca, Mulambö desfilou sobre o tripé "Ganhando o mundo", adornado com telas emblemáticas do pintor carioca, incluindo o autorretrato no ateliê de 1965, capa do catálogo da retrospectiva "Heitor dos Prazeres é meu nome" (CCBB-RJ, 2023). Durante os 77 minutos do desfile da Vila, Mulambö pintou ao vivo um retrato do mestre.

— O convite inicial foi para desfilar, depois fomos desenvolvendo essa ideia de pintar uma tela ao vivo, entendendo as dificuldades técnicas, como trabalhar misturando a emoção, a empolgação e o tempo do percurso — explica Mulambö. — Já tinha feito um desenho a lápis para marcar e, durante o desfile, fui pintando por cima. Mas o rascunho foi realmente uma base, pintei de forma bem solta, acompanhando o balanço do carro e o ritmo do samba. E também para dar tempo de brincar, cantar e sambar.

Para o Sábado das Campeãs, Mulambö ainda não decidiu se utilizará a tela pintada no primeiro desfile ou se irá criar algo novo. A certeza é a celebração do que a Vila mostrou na Sapucaí.

— Ainda não sei se vou exibir a pintura antiga ou se pinto na hora de novo, mas sei que vou estar lá me divertindo, com muito orgulho do que a Vila Isabel conquistou, honrando o legado do Heitor dos Prazeres e reencontrando esse orgulho da comunidade — comenta o artista. — Foi um carnaval de reconexão, que casou demais com a identidade da escola. Já tinha sido incrível vir como destaque no enredo do Exu, e agora é outra emoção voltar a esse palco sagrado para representar o legado do Heitor, que é um pilar fundamental para as artes e a cultura do carnaval.