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Azeitonas, ópera e neutralidade de carbono: mural de Maria Callas em cidade grega conquista prêmio internacional

Obra em Kalamata transforma imagem da artista em símbolo de identidade local e sustentabilidade, sendo eleita melhor do mundo em 2025 pela Street Art Cities

Agência O Globo - 20/02/2026
Azeitonas, ópera e neutralidade de carbono: mural de Maria Callas em cidade grega conquista prêmio internacional
Azeitonas, ópera e neutralidade de carbono: mural de Maria Callas em cidade grega conquista prêmio internacional - Foto: Reprodução / Instagram

Conhecida por suas oliveiras e pelo litoral no sul da Grécia, a cidade de Kalamata ganhou destaque internacional após um mural que reinterpreta a soprano Maria Callas como alegoria do município ser eleito o “Melhor Mural do Mundo” de 2025 pela Street Art Cities. A obra ocupa a lateral de um edifício central e já se tornou um novo cartão-postal da cidade.

Com cerca de 73 mil habitantes e localizada a aproximadamente 240 quilômetros de Atenas, Kalamata é reconhecida mundialmente pela produção de azeitonas, figos e uvas — elementos que aparecem de forma marcante na pintura. A escolha foi planejada: segundo autoridades municipais, o objetivo era traduzir conceitos como desenvolvimento sustentável e fortalecimento da economia regional em uma imagem acessível à população.

Arte, identidade e neutralidade climática

Vassilis Papaefstathiou, responsável pelo planejamento estratégico de Kalamata, destaca que a cidade está entre os poucos municípios gregos que estabeleceram a meta de alcançar a neutralidade climática até 2030. O mural foi concebido para tornar tangíveis temas como agroalimentação e crescimento econômico sustentável, conectando produtos tradicionais a uma referência cultural de projeção global.

Embora tenha nascido em Nova York, filha de imigrantes gregos, Maria Callas mantinha laços familiares com a região, já que seu pai era natural de uma aldeia ao sul de Kalamata. Reverenciada como ícone nacional, a cantora dá nome a iniciativas culturais locais, incluindo associações musicais e exposições dedicadas à sua trajetória.

O artista Kleomenis Kostopoulos, de 52 anos, explica que a obra, intitulada “Azeitonas, ópera e neutralidade de emissões”, não busca retratar a diva de forma idealizada, mas sim representar a própria cidade. Galhos de árvores, aves nativas e frutos compõem o vestido da personagem, simbolizando as raízes agrícolas e o florescimento da região.

A execução do mural levou cerca de duas semanas de trabalho efetivo, distribuídas ao longo de um mês devido às condições climáticas. Foram utilizados pincéis, tinta spray e uma plataforma elevatória para cobrir toda a extensão da parede.

Segundo a prefeitura, o mural já impulsiona o turismo e estimulou debates sobre o uso da arte em espaços públicos. Proprietários de imóveis demonstraram interesse em receber intervenções semelhantes, enquanto moradores relatam orgulho pela visibilidade conquistada pela cidade.

Para Kostopoulos, o reconhecimento internacional pode ampliar o espaço da arte urbana na Grécia e incentivar novas discussões sobre seus impactos culturais, sociais e econômicos. Em meio a ondas de calor, secas e incêndios que ameaçam os olivais da região, a obra consolida-se como símbolo de identidade, resistência e projeção de futuro.