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Viúva de Hugh Hefner acusa fundação de guardar milhares de fotos sexuais de mulheres e 'possivelmente meninas'

Crystal Harris apresenta denúncias e levanta dúvidas sobre origem, armazenamento e possível digitalização de álbuns pessoais do fundador da revista

Agência O Globo - 18/02/2026
Viúva de Hugh Hefner acusa fundação de guardar milhares de fotos sexuais de mulheres e 'possivelmente meninas'
Viúva de Hugh Hefner acusa fundação de guardar milhares de fotos sexuais de mulheres e 'possivelmente meninas' - Foto: Reprodução /facebook

Crystal Harris, viúva do fundador da Playboy, Hugh Hefner, acusou uma fundação ligada ao empresário de manter sob sua guarda milhares de imagens sexualmente explícitas de mulheres e "possivelmente meninas". As denúncias trouxeram à tona um debate público sobre o destino desse material após a morte de Hefner, em 2017.

Segundo relato divulgado pela imprensa, Crystal Harris apresentou duas denúncias formais contra a fundação associada à marca Playboy. Ela afirma que existem cerca de 3 mil álbuns de recortes contendo fotografias de teor sexual envolvendo mulheres e, possivelmente, garotas menores de idade.

De acordo com a emissora americana CBS, as acusações vieram a público durante uma coletiva no escritório da advogada Gloria Allred, que representa Crystal, em Los Angeles. Allred destacou que ainda não está esclarecido como a fundação passou a deter essas imagens após a morte de Hefner.

— Crystal escolheu corajosamente falar sobre essa questão hoje, não apenas em seu próprio nome, mas em nome de milhares de outras mulheres e possivelmente garotas que são retratadas nos álbuns de recortes e/ou mencionadas no diário sexual pessoal de Hugh Hefner — afirmou Gloria Allred em coletiva de imprensa.

Crystal relatou ter sido retirada do cargo de presidente da Hugh M. Hefner Foundation após manifestar preocupação com o conteúdo dos álbuns, que reuniriam registros fotográficos de encontros sexuais antes, durante e depois de ocorrerem. Ela acrescentou que já haviam solicitado sua renúncia anteriormente, mas que recusou.

— É fundamental que o público entenda que não estou me referindo a imagens que apareceram em revistas. Meu foco é como os álbuns pessoais de Hugh Hefner registravam momentos privados que aconteceram a portas fechadas — explicou Crystal Harris.

Álbuns remontam à década de 1960

Segundo a narrativa apresentada, os álbuns remontariam à década de 1960 e poderiam incluir imagens de garotas menores de idade à época das fotografias. No entanto, Crystal e sua advogada não confirmaram de forma categórica a existência de pornografia infantil entre o material.

A localização atual dos álbuns é incerta. Crystal informou ter recebido indicações de que parte do acervo pode estar armazenada em instalações privadas na Califórnia ou até mesmo em residências particulares, onde existiria a possibilidade de digitalização das imagens.

Allred acrescentou que o diário pessoal de Hefner — com descrições íntimas de encontros sexuais, incluindo anotações sobre ciclos menstruais de parceiras — também pode estar sob posse da fundação. Segundo a CBS, a instituição não respondeu aos questionamentos até a tarde desta terça-feira.

A advogada afirmou que pretende protocolar duas denúncias formais, uma na Califórnia e outra em Illinois, para provocar investigações pelos procuradores-gerais desses estados. Ela ressaltou que, até o momento, não há indícios de distribuição não consentida das imagens, mas alertou para o risco à privacidade caso o material digitalizado sofra algum ataque cibernético ou vazamento.

— Fomos informados de que estão digitalizando [as fotos], mas não há planos de distribuí-las. Se estão digitalizando, o que pode não ser ilegal, o que pretendem fazer com elas? — questionou Allred.

Ao ser questionada se a destruição dos álbuns seria o objetivo final, Allred respondeu que ela e Crystal Harris “não são contra” essa possibilidade, mas destacou que a prioridade imediata é garantir que o material não seja divulgado.