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Com 170 obras, mostra 'Vetores-vertentes' destaca a produção de 11 fotógrafas paraenses no CCBB do Rio

Idealizada pelo Museu das Mulheres, em Brasília, coletiva reúne imagens feitas dos anos 1970 até os dias atuais

Agência O Globo - 11/02/2026
Com 170 obras, mostra 'Vetores-vertentes' destaca a produção de 11 fotógrafas paraenses no CCBB do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após passar pelas sedes do CCBB em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, será inaugurada nesta quarta-feira (11) ao público a exposição "Vetores-vertentes: Fotógrafas do Pará", que apresenta a produção de 11 fotógrafas nascidas no estado, com obras que abrangem desde a década de 1970 até os dias atuais.

Com 170 trabalhos que extrapolam a fotografia tradicional — incluindo vídeos, instalações, fotocolagens, fotonovelas e experiências imersivas —, a mostra foi idealizada pelo Museu das Mulheres, projeto sediado em Brasília, com curadoria da diretora, professora e historiadora da arte Sissa Aneleh.

A exposição nasceu do projeto de doutorado em Artes Visuais defendido por Sissa Aneleh em 2018, na Universidade de Brasília (UnB), e propõe um recorte de um grupo mais amplo de mulheres que produzem arte na região há cerca de cinco décadas.

"Há uns 50 anos, artistas fomentaram a cena em Belém do Pará. Muitas se destacaram na fotografia e nas artes visuais, instituições e galerias surgiram, e a cidade se consolidou como um polo cultural do Norte. Na época, muitas dessas pioneiras não tiveram o mesmo reconhecimento dos artistas homens, mas foram referência para gerações seguintes de mulheres", destaca Sissa. "Elas desenvolveram um olhar singular sobre o universo feminino amazônico, abordando temas como identidades, território e memória."

O segundo andar e parte do térreo do CCBB abrigam trabalhos de nomes como Deia Lima, Evna Moura, Bárbara Freire, Cláudia Leão, Walda Marques, Jacy Santos, Nailana Thiely, Nay Jinknss e Paula Sampaio.

Uma das pioneiras dos anos 1970, Leila Jinkings iniciou sua trajetória fotográfica no movimento estudantil e, posteriormente, registrou tensões em áreas de garimpo e comunidades indígenas.

"Tudo o que eu queria era viajar e mostrar o que estava acontecendo. Estive em Tucuruí, durante os protestos contra a construção da barragem, cobri as eleições de 1982 em um período de muita violência, havia um medo real de morrer. Só não consegui entrar em Serra Pelada porque fui proibida", recorda Leila.

Já entre as novas gerações, Renata Aguiar exibe no CCBB obras que transitam por temas como corpo-território, ritualidade e autobiografia, em trabalhos como as fotoperformances da série "Ykamiabas".

"Realizei um trabalho de arte-educação no Centro de Reeducação Feminino em Ananindeua, então o único presídio feminino do Pará. Abordei a perspectiva da auto-representação no retrato, pois já me incomodava a ideia da fotografia como aparelho de captura colonial da imagem do outro", conta Renata. "Continuei na fotografia documental, trabalhei com indígenas pela Funai, viajei para a Índia com uma ONG. Mas, em 2013, durante o mestrado, comecei a explorar o autorretrato e a autorrepresentação. Essa experiência foi a semente para o que faço hoje em performance para fotografia."