Curiosidades
Artista sul-africana processa governo após veto a obra sobre Gaza na Bienal de Veneza
Gabrielle Goliath acusa o ministro da Cultura de ignorar a escolha de um comitê independente e barrar sua participação no evento por causa de uma homenagem a um poeta palestino morto em ataque israelense
A artista sul-africana Gabrielle Goliath entrou com uma ação judicial contra o ministro da Cultura da África do Sul para garantir seu direito de representar o país na Bienal de Veneza deste ano. Sua obra homenageia um poeta palestino morto em um ataque aéreo israelense. Goliath, de 42 anos, foi selecionada por um comitê independente para ocupar o pavilhão sul-africano, mas teve sua indicação ignorada pelo ministro Gayton McKenzie, que considerou inadequado apresentar uma obra relacionada à guerra em Gaza.
O processo, protocolado em Pretória, acusa o ministro de agir de forma ilegal e inconstitucional ao desconsiderar a recomendação do comitê. A situação evidencia como o conflito em Gaza influencia grandes eventos culturais internacionais. Apesar de o governo sul-africano acusar Israel de genocídio, McKenzie argumentou que apoiar uma obra sobre o Oriente Médio seria politicamente arriscado, especialmente diante das acusações do ex-presidente americano Donald Trump, que afirmou que agricultores brancos seriam vítimas de "genocídio" na África do Sul.
A obra proposta por Goliath, intitulada Elegy, é um trabalho em vídeo e performance desenvolvido ao longo de mais de uma década, no qual cantoras sustentam notas musicais como forma de luto. Em Veneza, a instalação teria três partes: uma dedicada a um adolescente sul-africano assassinado em 2014, outra a duas mulheres namibianas mortas por forças coloniais alemãs, e a terceira ao poeta palestino. Goliath já participou da edição anterior da Bienal e tem trabalhos exibidos internacionalmente, incluindo uma mostra no MoMA PS1, em Nova York.
Após rejeitar Elegy, o ministério passou a buscar um artista alternativo para o pavilhão, negociando com o coletivo Beyond the Frames. A decisão provocou forte reação no meio artístico sul-africano. Para pesquisadores, a postura do ministro contraria a política externa do próprio país e reflete uma visão recorrente de autoridades que enxergam a Bienal como uma vitrine promocional nacional, enquanto artistas a utilizam para abordar questões sociais e políticas complexas. Goliath pede uma decisão judicial rápida para ainda conseguir levar sua exposição a Veneza.
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