Curiosidades

No aniversário de São Paulo, confira um mapa de preciosidades guardadas em instituições e museus da cidade

Curadora do acervo dos palácios do governo estadual diz que coleções paulistanas não devem nada às de metrópoles como Nova York, Londres ou Berlim

Agência O Globo - 25/01/2026
No aniversário de São Paulo, confira um mapa de preciosidades guardadas em instituições e museus da cidade
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Se há uma obra de arte que se tornou símbolo da paisagem paulistana, é sem dúvida a “Mão” do Memorial da América Latina, complexo cultural projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado no final dos anos 1980. O sangue que escorre da palma da imensa mão de concreto (material que também é cara da metrópole brutalista, diga-se) tem a forma do continente — é uma homenagem às lutas dos povos desta parte do mundo e uma referência ao ensaio “As veias abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano.

O peso da obra de Niemeyer é tamanho que muita gente se surpreende ao entrar no Memorial e descobrir lá dentro o imponente painel “Tiradentes”, de , que retrata a Inconfidência Mineira em tons de azul e lilás, motivos geométricos diversos e uma luminosidade ímpar.

Do mar ao museu:

A maior cidade da América do Sul é assim: há joias espalhadas por toda parte, é só procurar. Foi isso que o GLOBO fez nas últimas semanas. A partir das dicas de curadores renomados, vasculhamos os acervos de dez instituições da cidade (que completa 472 anos neste domingo, 25 de janeiro) atrás de joias escondidas, de obras de arte que a maior parte dos turistas (e dos locais) não conhece ou não dá a devida atenção. Por isso, focamos em instituições relativamente menos conhecidas que o Museu de Arte de () e a Pinacoteca, por exemplo.

Abaixo, você encontra um mapa com o conjunto de obras de arte que vai do período barroco ao modernismo (e inclui ainda uma relíquia judaica de mais de 500 anos). São joias espalhadas pela metrópole: do Morumbi, na Zona Sul, onde estão o Palácio dos Bandeirantes e a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, à região da Luz, bairro que sedia o Museu de Arte Sacra; da Vila Mariana, onde está entesourado o acervo de , ao Jardim Europa, onde a Casa Museu Ema Klabin guarda a tela “No campo (À la campagne)”, pintada em 1925 por Marc Chagall, pintor nascido em Belarus e nome incontornável das vanguardas modernas.

Buscar obras de arte fora dos eixos tradicionais de visitação é também um convite para experimentar a cidade sob uma outra ótica e ainda exercitar a atenção, uma habilidade cada vez mais difícil de cultivar.

— O ato artístico não precisa do metro quadrado. É preciso um pouquinho de atenção, que seja de 10 segundos. Mas, claro, 10 segundos é diferente de um segundo. Quando você tem um pouco mais de atenção, o artista consegue ter uma plataforma para falar. Isso é básico, assim como a música precisa de silêncio — ressalta Marcello Dantas, um dos curadores mais conhecidos do Brasil. — É nos eixos de circulação pedestre que a arte mais funciona.

'Práticas dissidentes':

Uma escultura como “Pássaro Rocca”, de Francisco Brennand, é um convite à contemplação no meio do caos urbano. A obra está na Estação Trianon-Masp do Metrô, em plena Avenida Paulista, outro símbolo da metrópole aniversariante.

Os prédios modernos de São Paulo às vezes escondem tesouros tão preciosos quando as relíquias das igrejas barrocas de Minas. Curador do acervo do Itaú Cultural, Edson Cruz conta que quem visita a instituição, a uma estação de metrô da escultura de Brennand, costuma se surpreender ao dar de cara com uma imagem de Nossa Senhora das Dores esculpida por Aleijadinho. Adquirida em 1998, a santa decorava o escritório de Olavo Setúbal (1923-2008), ex-prefeito da capital e dono do Itaú, até ir para o acervo do banco, em 2007.

Por falar em arte sacra, no complexo , nos arredores da Avenida Paulista, uma capela centenária dedicada a Santa Luzia, com missas diárias, tem um vitral, elemento característico das catedrais góticas medievais, criado pelo contemporâneo .

— Não podemos esquecer que as igrejas antigamente eram como os museus. É um lugar de contemplação e a arte pode transformá-los — disse o artista ao GLOBO.

Curadora do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo de São Paulo, Rachel Vallego diz que as coleções de arte paulistanas não devem nada às de metrópoles internacionais como Nova York, Londres ou Berlim. E a capital paulista ainda tem uma vantagem: enquanto os acervos estrangeiros se constituíram a partir da apropriação das riquezas de povos colonizados, as instituições de São Paulo valorizam arte produzida pelos brasileiros.

O Palácio dos Bandeirantes, por exemplo, é morada da tela “Operários”, em que retrata os trabalhadores do Brasil e de outas partes do mundo que ergueram a cidade industrial. Olhando a obra, entende-se de cara por que o prestígio da modernista tanto cresce no exterior. Em 2024, .