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Diretor iraniano de 'Foi só um acidente' afirma que retornará ao Irã mesmo sob risco de prisão

Filme de Jafar Panahi concorre ao Globo de Ouro ao lado do brasileiro 'O agente secreto'

Agência O Globo - 08/01/2026
Diretor iraniano de 'Foi só um acidente' afirma que retornará ao Irã mesmo sob risco de prisão
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O cineasta iraniano Jafar Panahi declarou que pretende retornar ao Irã assim que encerrar a campanha internacional de “Foi só um acidente”, mesmo enfrentando uma nova sentença de prisão e proibição de viagem impostas pelas autoridades iranianas. A afirmação foi feita em entrevista ao “The Hollywood Reporter”.

Segundo Panahi, sua decisão de voltar não mudou após a divulgação, em novembro, de que ele havia sido novamente condenado por “atividades de propaganda” relacionadas ao filme. O diretor estava nos Estados Unidos promovendo a obra quando a sentença foi tornada pública e continuou participando de eventos e festivais internacionais.

“Assim que eu terminar o meu trabalho aqui, eu vou voltar ao Irã”, afirmou o cineasta, ao ser questionado sobre os planos após o término da temporada de premiações.

Panahi explicou que sua escolha está diretamente ligada à forte relação que mantém com o país onde vive e trabalha, apesar das restrições governamentais. Ele ressaltou que compreende o contexto cultural, a língua e o cotidiano iraniano, e que é nesse ambiente que encontra inspiração para criar seus filmes.

O diretor também afirmou não se considerar diferente de outros artistas iranianos que enfrentam sanções semelhantes, como proibições de trabalhar e de sair do país. Segundo ele, cineastas e atores continuam produzindo no Irã mesmo sob intensa pressão das autoridades.

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, “Foi só um acidente” é inspirado no período em que Panahi esteve preso e nas pessoas que conheceu durante a detenção. O filme representa o primeiro grande circuito promocional internacional do diretor em mais de uma década, após o fim de uma antiga proibição de viagens, suspensa em 2023.

A produção está entre os destaques da temporada de prêmios e concorre ao Globo de Ouro nas principais categorias, incluindo melhor filme e melhor diretor. Na disputa, enfrenta o brasileiro “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, também indicado à premiação.

Além do Globo de Ouro, o longa de Panahi foi selecionado na pré-lista do Oscar de melhor filme internacional e vem sendo exibido em diversos países desde a estreia em Cannes. Nesta semana, o cineasta será homenageado pelo Círculo de Críticos de Cinema de Nova York, que lhe concederá o prêmio de melhor diretor.

Questionado sobre o recurso apresentado contra a nova condenação, Panahi afirmou que ainda aguardava informações de seus advogados sobre o andamento do processo e reforçou que, independentemente do resultado, pretende retornar ao Irã após o encerramento da campanha do filme.