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Com saída da Reag, Belas Artes busca novo patrocínio para manter atividades

Clássico cinema de rua negocia com novos interessados; fundo de investimento é investigado na Operação Carbono Oculto e encerrou contrato deixando meses de aluguel quitados

Agência O Globo - 06/01/2026
Com saída da Reag, Belas Artes busca novo patrocínio para manter atividades
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O tradicional cinema de rua Belas Artes, localizado na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, em São Paulo, está em busca de um novo patrocinador para garantir a continuidade de suas atividades. Até dezembro de 2025, o espaço contava com o apoio financeiro da gestora Reag, em um acordo que durou dois anos.

Segundo o diretor do cinema, André Sturm, as negociações com potenciais patrocinadores já começaram, mas ainda não há um acordo fechado. O principal desafio do Belas Artes, que há mais de 80 anos integra a cena cultural paulistana, é arcar com o aluguel de um imóvel em área tão valorizada — o valor da locação, no entanto, não é divulgado pela administração.

“O patrocínio é fundamental por conta do aluguel. O problema é que estamos em um imóvel muito valioso. Desta vez, porém, negociamos uma cláusula de saída no contrato e garantimos três meses de aluguel, o que nos dá uma sobrevida”, afirma Sturm, que também é cineasta.

Com esse prazo, a expectativa é que o Belas Artes consiga um novo patrocinador até março. Caso contrário, o espaço pode enfrentar uma “situação difícil”, alerta o diretor. Já há conversas em andamento com empresas de diferentes segmentos. Antes da Reag, o cinema contou com patrocínios da Caixa e da cervejaria Petra.

Sturm destaca que, em 2025, o Belas Artes registrou seu melhor ano de público desde a pandemia de Covid-19, com cerca de 30 mil visitantes mensais. A curadoria do cinema também passou a integrar duas unidades da rede Cinesystem: uma em Botafogo, no Rio de Janeiro, e outra na região do Frei Caneca, em São Paulo.

“O filme 'Homem com H', de Esmir Filho, estreou em 500 salas pelo Brasil, mas a maior bilheteria foi aqui. 'Bugonia', de Yorgos Lanthimos, também teve o maior público no Belas Artes, mesmo com estreia em 100 salas. O cinema se destaca pela programação de qualidade”, ressalta Sturm.

A saída da Reag ocorre em meio à investigação do fundo no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro do crime organizado no setor de combustíveis. Após a divulgação do caso, a gestora mudou de nome e agora se chama Arandu Investimentos.

Fundado em 1943, o Belas Artes já enfrentou diversos desafios financeiros ao longo de sua história, incluindo o fechamento entre 2011 e 2014. Na ocasião, a ausência de atividades motivou abaixo-assinados e manifestações públicas em defesa do espaço, que voltou a funcionar graças ao apoio de patrocinadores externos.