Curiosidades
Ilha 'alienígena' no Iêmen, onde 400 turistas estão presos, é refúgio de Anitta e outros famosos; conheça
Arquipélago paradisíaco é conhecido por abrigar 307 espécies únicas no mundo, entre répteis e árvores
Cerca de 400 turistas estão praticamente presos nas ilhas de Socotra, que pertence ao Iêmen, em meio à suspenção de voos devido aos confrontos no continente, de acordo com duas autoridades e uma agência de viagens, reportou a AFP nesta segunda-feira (5). O arquipélago já é bastante conhecido mundialmente por conta de sua paisagem paradisíaca — que é até associada a um visual “alienígena” de tão surpreendente. Famosos como Anitta e Fabio Porchat já fizeram suas visitas ao local, que é um dos raros refúgios de paz no Iêmen, país devastado há mais de uma década por uma das guerras civis mais sangrentas da atualidade.
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O que vem por aí:
De acordo com a AFP, nos últimos dias, os voos de entrada e saída do Iêmen foram amplamente restringidos após uma escalada da violência entre facções armadas rivais, ligadas de forma frouxa ao governo, mas apoiadas separadamente por Abu Dhabi e Riad. O vice-governador de Socotra para cultura e turismo, Yahya bin Afrar, disse à AFP:
— Temos mais de 400 turistas estrangeiros… seus voos foram suspensos.
Enquanto o território continental é consumido por combates entre rebeldes houthis, forças leais ao governo deposto e separatistas do sul — cada grupo apoiado por potências estrangeiras —, o arquipélago, situado a cerca de 400 quilômetros da costa, mantém uma surpreendente tranquilidade. Mesmo diante dos impactos da guerra, Socotra busca retomar o turismo e voltar a receber visitantes do mundo todo.
Conhecido como a “Galápagos do Índico” por abrigar uma impressionante variedade de espécies que só existem ali, o arquipélago de Socotra é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. Suas águas azul-turquesa, onde golfinhos costumam nadar, e as faixas de areia clara criam paisagens dignas de cartão-postal. Nas áreas montanhosas e nas planícies áridas, árvores de formas exóticas completam o cenário singular que torna o lugar incomparável em todo o planeta.
Aproximadamente 50 mil pessoas vivem no arquipélago de Socotra, sendo a maior parte concentrada na ilha principal, que leva o mesmo nome. As outras três ilhas — Abd al Kuri, Samhah e Darsah — são bem menores, quase desabitadas, e conhecidas coletivamente como “Os Irmãos”. Localizado em posição estratégica no Oceano Índico, entre o litoral sul do Iêmen e o Chifre da África, o arquipélago está mais próximo da Somália do que de Aden, principal cidade do sul iemenita, o que ajuda a mantê-lo afastado dos confrontos da guerra civil.
Esse isolamento, porém, começou a mudar em junho de 2020, quando Socotra passou a integrar a zona de influência do Conselho de Transição do Sul, movimento separatista que busca criar um estado independente no sul do país. Sob essa nova administração, o arquipélago tenta retomar seu lugar no mapa turístico internacional. O grupo é aliado dos Emirados Árabes Unidos, e não por acaso a rota aérea que conecta Socotra ao mundo é operada pela Air Arabia, companhia sediada no emirado de Sharjah. Desde 2021, um voo semanal liga Abu Dhabi à capital local, Hadibu.
A segunda alternativa para chegar a Socotra é mais complexa: um voo operado pela Yemenia, principal companhia aérea do Iêmen, que parte do Cairo, no Egito, com escala em Seiyun, no centro do país. Essa rota, a mais tradicional para o arquipélago, havia sido suspensa no início da pandemia e, mesmo após a retomada, segue vulnerável a interrupções por conta da guerra civil.
Apesar disso, o conflito, até o momento, não atingiu diretamente Socotra. Embora a ilha principal abrigue atualmente uma base militar dos Emirados Árabes Unidos, não há registros de confrontos armados na região. Os viajantes estrangeiros que visitaram o arquipélago nos últimos anos — e aí se inclui também a atriz Guilhermina Guinle — descrevem um ambiente de paz constante e uma população acolhedora, cuja subsistência depende, em grande parte, da pesca e da criação de gado. Essa simplicidade também se reflete na infraestrutura turística: as opções de hospedagem se resumem a pequenas pousadas, casas de moradores e áreas destinadas ao acampamento.
A rigor, o verdadeiro luxo de Socotra está em sua natureza, que se destaca pela impressionante diversidade biológica. Isolado do continente africano há milhões de anos, o conjunto de ilhas desenvolveu uma fauna e flora únicas, comparáveis às de destinos igualmente famosos por suas espécies endêmicas, como a Nova Zelândia e as Ilhas Galápagos.
Entre as 825 espécies de plantas identificadas em Socotra, 307 existem apenas ali, sem equivalente em nenhum outro lugar do planeta. O maior símbolo dessa singularidade é a árvore sangue-de-dragão (Dracaena cinnabari), de formato curioso que lembra um guarda-chuva ou cogumelo, com galhos espessos semelhantes a raízes suspensas e seiva de tom avermelhado.
Outras espécies típicas incluem árvores suculentas de folhas grossas, como a árvore-do-pepino (Dendrosicyos socotranus) e uma variedade local da rosa-do-deserto (Adenium obesum socotranum). Elas se espalham por grande parte da ilha principal, especialmente nas encostas montanhosas que compõem sua paisagem árida e rochosa. Percorrer essas trilhas revela não apenas vistas impressionantes, mas também surpresas naturais, como a fotogênica fonte de água da montanha Homhil.
Um estudo realizado pela Unesco revelou que 90% das espécies de répteis e 95% dos caracóis terrestres encontrados em Socotra são endêmicos, ou seja, não existem em nenhum outro lugar do mundo. Entre os 15 tipos de mamíferos presentes no arquipélago — como asnos, cabras e gado, todos introduzidos pelo homem — apenas uma espécie de morcego é considerada nativa.
Ainda assim, os mamíferos mais carismáticos de Socotra vivem no mar. Os golfinhos, sempre brincalhões, costumam acompanhar as embarcações e encantar os visitantes que exploram as ilhas. Eles podem ser avistados até mesmo perto da costa, em praias quase sempre desertas, como Shouab, tida como a mais bela do arquipélago. Outro ponto de destaque é Arher, onde o mar azul-turquesa encontra dunas de areia branca que chegam a 300 metros de altura — uma paisagem deslumbrante, que parece pertencer a um mundo distante das guerras e das pandemias.
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