Curiosidades

Poucos sabem, mas há um apartamento no topo da Torre Eiffel; conheça a história

Criado por Gustave Eiffel para uso pessoal, o espaço a mais de 300 metros de altura serviu como escritório científico, recebeu personalidades históricas e hoje permanece fechado ao público, preservando um dos segredos mais curiosos de Paris

Agência O Globo - 05/01/2026
Poucos sabem, mas há um apartamento no topo da Torre Eiffel; conheça a história
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Por mais de um século, a existência de um apartamento privado no topo da Torre Eiffel permaneceu longe dos olhos do público, desafiando a lógica de uma cidade onde o metro quadrado é escasso e valorizado. A mais de 300 metros acima das ruas de Paris, o espaço oferece uma vista panorâmica singular da capital francesa e revela uma faceta pouco conhecida do engenheiro que idealizou o monumento.

Gustave Eiffel projetou o último andar da torre, inaugurada como peça central da Exposição Universal de 1889, para abrigar um escritório particular de cerca de 100 metros quadrados. O ambiente contava com banheiro, cozinha e mobiliário feito sob encomenda pelo escultor e marceneiro Jean Lachaise, mas não incluía quarto, indicando que o engenheiro não pernoitava no local.

O espaço era utilizado principalmente para observações meteorológicas e experimentos sobre a resistência do ar, além de servir como sala de recepção para jornalistas e personalidades influentes da época. Mesmo diante de propostas generosas da elite parisiense interessada em alugar o imóvel, Eiffel recusou todas, preservando o caráter privado do local.

Da Exposição Universal ao símbolo de Paris

A Torre Eiffel começou a ser construída em janeiro de 1887 e foi concluída em março de 1889, após vencer um concurso que reuniu mais de cem propostas — entre elas, ideias tão inusitadas quanto uma guilhotina monumental. Com 10.100 toneladas, tornou-se a estrutura mais alta já erguida pelo ser humano à época.

Desde o início, a torre foi pensada como atração pública, com o último andar destinado à visitação. Atualmente, quase 7 milhões de pessoas sobem anualmente seus 1.665 degraus, atraídas pela vista privilegiada da cidade e pelo simbolismo histórico do monumento.

O escritório de Eiffel, porém, manteve um caráter reservado e virou ponto de encontro de figuras ilustres. Em setembro de 1889, o inventor americano Thomas Edison esteve no local e presenteou o engenheiro com um de seus fonógrafos patenteados, precursor do gramofone, capaz de gravar sons em cilindros de cera.

A visita ficou registrada no “Livro de Ouro” do apartamento. Edison escreveu uma dedicatória elogiando Eiffel como “o corajoso construtor de um exemplo tão gigantesco e original da engenharia moderna”. O livro reúne ainda assinaturas de membros de famílias reais europeias, da atriz Sarah Bernhardt, do artista Paul Gauguin e do showman Buffalo Bill.

Após a morte de Gustave Eiffel, em 1923, o escritório permaneceu vazio até o pós-Segunda Guerra Mundial, quando passou a ser usado como depósito de equipamentos ligados às antenas de televisão e telecomunicações instaladas no topo da torre. Hoje, o espaço abriga instalações técnicas, embora uma pequena área tenha sido recriada para fins históricos.

O interior não é aberto ao público, mas visitantes podem observar pelas janelas figuras de cera que representam Eiffel e Edison. Códigos QR espalhados pela torre oferecem experiências imersivas, como uma visita virtual em 360 graus ao apartamento e a reconstituição do encontro entre o engenheiro e o inventor. Para quem sonha em morar em Paris, no entanto, resta procurar outro endereço: o apartamento mais exclusivo da cidade segue, definitivamente, fora do mercado.