Cultura Pop
Tamanho é documentário: filme mostra a indústria de aumento de pênis nos EUA
"Manhood", que entrou no circuito comercial americano nesta semana, acompanha um empresário e dois clientes.
Exibido pela primeira vez no festival South by Southwest Film, em 14 de março, o documentário "Manhood" chegou a (poucos) cinemas de Los Angeles e de Nova York nesta semana. Porém, a nova produção de Daniel Lombroso, que explorou o extremismo conservador em trabalhos anteriores, terá sua versão digital distribuída em VOD até 17 de novembro. O filme deve chamar mais atenção por abordar um aspecto particular da fragilidade masculina: a indústria de procedimentos cosméticos que promete aumentar o tamanho do pênis.
"Manhood" é uma narrativa de 90 minutos que conta a história de três personagens acompanhados ao longo de dois anos: Bill Moore, dono da PhalloFill, uma rede de clínicas que oferece o procedimento (e que nunca deixa claro aos clientes que não é médico); David Smith, um criador de conteúdo gay no OnlyFans, que busca ajuda de Moore para corrigir a forma do pênis após ser vítima de um tratamento malfeito; e Ruben Ramirez, um aspirante a comediante, casado e com cinco filhos, que tão obcecado em melhorar a aparência abaixo da cintura, chega a vender a casa para pagar o aumento.
Lombroso, o documentarista, não possui parentesco identificável com o médico italiano Cesare Lombroso (1835-1909), um dos fundadores da criminologia que inspirou a expressão "lombrosiano" em decorrência de sua crença errônea de que a aparência de uma pessoa poderia indicar sua propensão a cometer crimes. O diretor de "Manhood" chegou a essa nova abordagem sobre a aparência humana após realizar uma pesquisa sobre tendências de cirurgias plásticas para a The New Yorker.
Moore cobra de US$ 15 mil a US$ 20 mil por intervenção no pênis, vendendo o procedimento como uma panaceia contra depressão, vida sexual insatisfatória e até mesmo para impulsionar carreiras. No filme, entre os que o procuram, estão um agente de patrulha da fronteira e um pastor evangélico, figuras ligadas a uma masculinidade conservadora, que não se importam em fazer de Moore quase um coach; embora o dono da clínica seja um homossexual que, em "Manhood", relembra a culpa e o medo da rejeição que sentiu antes de se assumir para a família cristã conservadora do Sul dos Estados Unidos e para sua mãe, que sofre de demência.
Lombroso declarou ao Guardian que, enquanto realizava o documentário, percebeu que nenhuma das parceiras dos homens que procuravam a PhalloFill se importava com o tamanho do pênis de seus companheiros. O caso do comediante Ruben sintetiza essa dissociação: sua mulher não apoia o tratamento que o faz mudar-se para a residência de uma ex-companheira para vender a casa da família e custear o tratamento.
Embora "Manhood" contenha trechos humorísticos e Ruben se considere um comediante, as partes em que o personagem aparece podem provocar tristeza. Quando não está ouvindo podcasts de Joe Rogan sobre como os homens são marginalizados, Ruben se apresenta em shows de bar, tentando, sem sucesso, arrancar risos com piadas constrangedoras sobre abuso sexual infantil. "Ele é, na verdade, um pai muito amoroso", ressaltou Lombroso ao Guardian. "Mas acaba se refugiando nesses mundos, como muitos de nós fazemos, e, no fim das contas, isso acaba cobrando seu preço."
O preço, para David Smith, o terceiro vértice desse triângulo, foi a deformação. O jovem busca a ajuda de Moore para reparar os danos causados por um procedimento estético mal feito, realizado por Victor Loria, outro vendedor de ilusões que não é médico e se gaba em "Manhood" de vir de uma família ligada à Máfia. Loria mantém na parede do consultório um aviso sobre isenção de responsabilidade profissional se algo der errado. O encontro de David com Moore leva ambos a descobrirem que têm muito em comum na vida, começando por um parceiro sexual.
A PhalloFill de Moore possui 32 unidades em todos os Estados Unidos, evidenciando a lucratividade do negócio. O empresário não perde a oportunidade de conquistar mais um cliente — tanto que tentou convencer Lombroso a aumentar o pênis durante a produção. O documentarista recusou o procedimento com uma justificativa intransponível: "Minha mãe jamais me perdoaria".
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