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‘Colegas e o herdeiro’: filme que celebra a inclusão teve ciclones, enchentes e cobra nos bastidores

Comédia chega aos cinemas na quinta-feira com novos personagens com síndrome de Down, síndrome de Williams e do espectro autista

Agência O Globo - 12/08/2026
‘Colegas e o herdeiro’: filme que celebra a inclusão teve ciclones, enchentes e cobra nos bastidores

Anos após o lançamento de “Colegas” (2012), que conquistou o Kikito de Ouro em Gramado e se consagrou como um divisor de águas para o cinema inclusivo no Brasil, a turma fujona está de volta — e com novos membros. Em “Colegas e os herdeiros”, que chega aos cinemas do Brasil na quinta-feira, o grupo foge do instituto em que mora para ir ao Uruguai. O objetivo é reencontrar o amigo Stallone (Ariel Goldenberg), que está no país vizinho no meio de uma disputa pela herança de um hotel.

Cinema:

'Big Brother Brasil':

— “Colegas” foi a comédia mais premiada do cinema brasileiro. Em vez de querer alcançar tudo o que ele alcançou, pensei em mostrar mais pessoas talentosas que a gente não pôde aproveitar na época. Aumentamos o número de protagonistas e trouxemos outras deficiências para dentro do projeto, e também o autismo. Nesse filme, a gente tem 70 pessoas com deficiência; ele é ainda mais inclusivo que o primeiro — explica o diretor e roteirista Marcelo Galvão.

Nas filmagens em Porto Alegre e na região de Viamão, no Rio Grande do Sul, não faltaram emoções e bastidores inusitados. A produção ocorreu seis ciclones ao longo das nove semanas de trabalho, além das históricas enchentes no estado, o que desenvolveu uma corrente de solidariedade gigante entre a equipe técnica e os atores.

— Teve gente da equipe que perdeu tudo com a enchente. A equipe toda fez vaquinha para ajudar a recompor um pouco do que a pessoa tinha. A união foi grande e ninguém desistiu — relembra Marcelo.

Não bastasse a chuva, a natureza pregou outras peças. Durante uma gravação externa na praia, uma jararaca surgiu de surpresa entre os atores, gerando correria:

— Apareceu uma cobra andando na minha direção. Eu estou rindo aqui, mas morri de medo — entrega a atriz Rafaela Fontanetti, que interpreta Fernanda.

O diretor complementar.

— Joguei a jararaca para longe, mas como fazer o elenco andar por ali depois? Tio que esticar um pano preto no chão para garantir que o caminho estivesse limpo — lembra Marcelo.

Houve também problemas com traumas de infância. A equipe teve que gravar com dublê uma cena de Rafaela andando de bicicleta.

— Eu tinha um trauma de infância e comecei a chorar pedindo para me tirarem dali! — diz Rafaela.

— A preocupação dela era tanto que uma bicicleta parada no estúdio na cabeça dela parecia uma moto. Mas no fim, deu tudo certo. Com dublê e muita risada — emenda Marcelo.

Livros para improvisar

Para deixar o elenco brilhar, a direção deu liberdade para improvisos:

— Escrevo o roteiro imaginando a cena, mas deixo eles ajustam as falas ao seu próprio jeito. O importante é manter o objetivo da cena — diz Galvão.

Novas amizades

Todo o elenco falou sobre a amizade que criou durante a gravação:

— Eu não tinha contato com pessoas com síndrome de Down. Para mim foi um grande sonho realizado fazer esse filme — disse João Vítor de Paiva, o Duda.

Mais oportunidades

Gabriel D Lazzari, o Igor, pediu mais oportunidades.

— As pessoas com deficiência lutam pela inclusão. Eu adorei participar do filme porque ele mostra que nós somos capazes, só precisamos de oportunidades.

Sem preconceito

Márcio nas telonas, Breno Viola, também participou do primeiro filme.

— É muita emoção. O primeiro foi o maior sucesso. O mercado de trabalho tem que olhar para as pessoas com deficiência e parar com o preconceito.

Filhos com autonomia

Já Luiza Godoy, a Letícia, sonha com a reflexão do público:

— Quero que os pais de crianças com Down vejam nossa capacidade e entendam que seus filhos também podem seguir esse rumo e ter autonomia quando crescerem.