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Breno Ferreira celebra repercussão após cenas quentes em ‘Jogada de risco’

No ar como o ambicioso advogado Cléber em 'Quem ama cuida' e o jogador Geraldo na série 'Jogada de risco', ator de 28 anos celebra momento da carreira, fala sobre cenas de nudez e o passado nos gramados

Agência O Globo - 29/07/2026
Breno Ferreira celebra repercussão após cenas quentes em ‘Jogada de risco’
Breno Ferreira

Quem assistiu a 'Quem ama cuida' na TV Globo já se acostumou a ver Breno Ferreira impecável, penteado da cabeça aos pés em ternos engomados na pele do advogado Cléber . Mas basta dar uma chegada no Globoplay para encontrar o ator de 28 anos de uma forma completamente diferente. Como o jogador de futebol Geraldo , da recém-lançada 'Jogada de risco', o ator vê cenas de nu frontal no vestiário, enquanto o personagem lida com o drama da homofobia no esporte. A série estreante colocou o artista no topo dos assuntos mais comentados da semana. Em papo exclusivo com o EXTRA , Breno abre o jogo sobre os bastidores das sequências mais quentes, revela por que abandonou o sonho de ser goleiro profissional, adianta os rumores de seu personagem na novela das nove e mais. Confira:

Sucesso nas redes:

Bastidores:

Você está numa novela das nove e estreou uma série no Globoplay ao mesmo tempo. Como você está sentindo essa fase cheia de trabalho?

É um sentimento de realização, assim como qualquer um estaria. Já venho há muito tempo trabalhando, todo ano fazendo uma coisa, mas tem hora em que realizam trabalhos que furam a bolha. Sou um cara muito feliz. É minha segunda novela das nove e a minha primeira por convite. Sobre a série, na época de ‘Vale tudo’, o Cauã Reymond já tinha falado comigo. Por ora, era só uma sondagem, mas fiquei muito feliz quando deu certo, porque é um personagem completamente diferente do que eu já fiz. A possibilidade de fazer um personagem do tamanho de Geraldo no Globoplay é uma felicidade sem tamanho. Te garanto que estou aproveitando cada segundo, cada milímetro de oportunidade que tive ultimamente. É um momento muito agradável de fazer parte e estar atravessando. Não é nada diferente daquilo que projetei para mim, do que eu queria que acontecesse. Viver um desejo é um deleite sem tamanho.

O que podemos esperar esse novo momento do Cléber na trama?

Cléber é uma caixinha de surpresas. Não é que ele seja um alpinista social, mas é uma pessoa ambiciosa. Daqui para frente, algumas coisas na relação dele com Pedro vão começar a estremecer. Ele pede muita proatividade do Pedro no escritório, já que ambos são sócios. O Pedro se vê numa fase da vida de outras angústias, outros momentos, e talvez isso seja um embate daqui para frente. Cléber quer crescer na vida, quer a grana dele, que o escritório seja grande e de referência e talvez ele não meça esforços para chegar lá. Acho que é isso que posso adiantar. Ele quer o lugar dele ao sol. Pedro é um cara que já foi muito bem implementado monetariamente, e Cléber está atrás dessa capitalização. A partir de agora, a paciência dele vai estar um pouco abaixo do Pedro .

Nos resumos oficiais da novela, o Cléber até fica surpreso ao ver que o Pedro está de novo focado no caso de Arthur Brandão ...

Exatamente. Cléber pensa: 'Cara, já se passou seis anos, já teve a sentença, bola para frente'. Só que o Pedro ainda está lá, agarrado nisso. É um drama familiar dele, compreensível, só que o Cléber não quer muito saber disso. Ele quer seguir a vida dele.

E como foi para você entrar nesse universo jurídico?

Caí de paraquedas. Sou um ator que gosta muito do processo, então isso dá uma amenizada em coisas distantes do meu cotidiano. Não tenho nenhum advogado de família, então fui estudar advocacia. Vi muitos filmes sobre o meio e muitas coisas reais. Assisti a diversas sustentações de advogados e comecei a estudar o mundo criminalista, que é uma outra seara da advocacia tradicional. Isso me encantou, porque fui percebendo que os bons advogados são ótimos atores. Você tem que ser um ótimo ator para conseguir vender a sua ideia e a sua visão sobre aquele caso. Isso foi me fascinando. Eu me divirto muito com Chay Suede . Sempre chegam palavras novas no roteiro e a gente comenta: 'Ó, chegou essa palavra'. É uma descoberta muito legal. No final das contas, é mais um mundo sobre o que eu não tinha facilidade, mas a minha profissão dá a possibilidade de ter novas experiências e conhecer novos setores. Eu ganhei muito com essa carga.

Em uma novela você aparece usado terno o tempo todo, e na série surgiu sem roupa logo no início. Como foi encarar essa transição, tanto de personalidade quanto de figurino?

É aí que está de graça. Uma personalidade distinta já me encanta porque envolve um outro lidar com o corpo, com o espaço, com o texto. Sobre estar sem roupa, a gente é um país que ama essas coisas. A gente é o país do carnaval e é óbvio que isso vai muito para a frente da tela. Sobre a nudez em si, eu não sou um cara com pudor do meu corpo, é uma parte como qualquer outra, é o meu corpo ajudando a contar uma história. Se a história foi contada por quais meios, métodos ou como está esse corpo na frente da tela, não importa. O resto é detalhe. A cena não era só sobre a nudez. E está tudo certo ter o corpo exposto para ajudar a contar aquela história. Essa sequência é muito legal porque retrata uma situação de homofobia nua e crua. Dar essa resposta, principalmente no momento em que vivemos, é importante.

Telinha:

Casal:

Como foram os bastidores dessas cenas mais íntimas?

Para as cenas íntimas, temos uma coordenadora de cenas sensíveis na Globo. Ninguém faz nada que não esteja à vontade de fazer. Cada um tem o seu tempo, o conjunto fica limitado, os monitores são desligados e não há correria. Há conversas prévias entre os atores sobre onde você pode ou não tocar. É uma paz que permite que você apenas seja entregue e confie ao seu parceiro. Se para mim é preciso estar tranquilo, imagino que para as mulheres seja ainda mais delicado. O conforto oferecido a elas foi dobrado.

E o público não falou besteira por causa da cena de nu? Como foram as respostas?

O pessoal só falou que eu estava bonito demais e que eu estava muito bem (risos). Pensei: 'Que ótimo e que coisa linda'. É música para meus ouvidos. Vi todo o mundo comentando e disse: 'Meu Deus, eu tenho que ver isso e assistir como ficou!' O pessoal está adorando, se amarrando. Estou amando as enxurradas de carinho que recebo a cada segundo. Tem sido maravilhoso, um presente de todos os dias. Somos o país do futebol, pentacampeões mundiais, e todo mundo tem uma paixão ou uma história com esse esporte. A diferença de 'Jogada de risco' para outras produções é que ela fala sobre o que acontece fora das quatro linhas. Todo mundo tem curiosidade sobre esse bastidor. Embora seja uma história fictícia, ninguém se aqueceu em uma única pessoa específica. Há milhares de camadas e pessoas colocadas ali. A série não tem nem uma semana de lançamento e já está no Top 1 do Globoplay. Fico feliz porque, além das cenas delicadas e de intimidação que atraem, o tema do futebol e o bastidor fora de campo chamam qualquer um para assistir.

Durante as respostas, sobrou até pra Clara (Moneke) , né? O que ela acha disso tudo?

(Risos). Ela é a pessoa mais de boa do mundo! Clara é atriz, então entende que faz parte da profissão. Ela acabou de fazer um projeto maravilhoso também. A gente sabe separar as coisas e segue de boa. São os personagens, não é a gente.

Costuma sentar para acompanhar seus trabalhos na tela ou prefere não se assistir?

Estou aprendendo a me olhar com mais carinho e menos autocrítica. Se a gente gravar uma cena, vai achar que poderia ter feito de cinco milhões de formas diferentes. Mas hoje tenho a certeza de que, quando estou na frente da câmera, faço o meu melhor e de forma mais honesta. Então, ajude-me a me divertir. É preciso ter esse momento de prazer. Antes tinha muita agonia de mim ver. Mas quando fiz 'Vale tudo', por ser uma novela e uma obra aberta, entendi que assistir era quase uma obrigação para conversar com o público e poder modular a atuação ao longo de um ano.

E como foi gravar as sequências de futebol?

Eram como um recreio de escola ou um almoço! Todo mundo ama futebol. Eu joguei bola, Cauê Campos , Juan Paiva e Ramiro Martinez também amam. Quando nos colocamos no Engenhão, um estádio oficial, para jogar e treinar, foi uma festa. A bola nunca ficou parada. Foi um reencontro com o sonho de menino de cada um de nós. O conjunto ficou muito leve.

O conflito do Geraldo em relação à homossexualidade no futebol foi um dos fatores que te fez aceitar o papel?

Quando Bruno Safadi (diretor) me ligou e conversamos, aquilo me pegou muito. Eu amo futebol e a gente sabe que não existe na Série A do Brasileirão ou um grande ídolo que seja uma pessoa assumida, o que é uma loucura. Construir um personagem que vive esse conflito, mas que quer se assumir porque sabe que não está errado, é incrível. Geraldo é jovem, desta geração que se questiona: 'Vale a pena ganhar uma grana, mas não poder ser quem eu sou?'. Espero, com toda a humildade, que as pessoas que se identificam com Geraldo consigam ter força e entendam que o preconceito é um problema do outro, não delas. Geraldo é um personagem muito honesto.

Você comentou que jogou futebol quando mais jovem. Ainda joga com os amigos?

Foi uma fase gostosa da minha adolescência. Mas essa tá mais (risos). Eu era goleiro, sou alto (1,89 m) e as coisas foram dando certo. Acreditei que chegaria na seleção brasileira. Na verdade, eu era bom. Mas chegou um momento, em que eu queria se fosse aquilo mesmo que meu coração pedia. A atuação sempre falou mais forte. Escolhi a atuar, não desisti e estou aqui. É muito gratificante.

O Geraldo tem o dilema de ponderar a carreira versus a vida pessoal. Você já sentiu o mesmo?

Quando o corpo ocupa um espaço por muito tempo em um lugar, você fica faltante em outro. Graças à tecnologia, falo com a minha mãe a cada meia hora, com a Clara a mesma coisa quando não estou definido. Busco muito estar presente quando estou fora do trabalho. Não consigo estar fisicamente com a minha mãe todos os dias porque moramos em bairros diferentes no Rio, mas uma chamada de vídeo, um domingo sim, outro não, estamos próximos. Vou criar estratégias para a saudade não vencer. Estou sempre próximo das pessoas que amo.

Como seus pais reagem a seus trabalhos? Eles te apoiaram tanto no futebol quanto na arte?

Nos últimos anos, eles só riem. Tanto minha mãe (Renilda) quanto meu pai (Marco Antônio) sempre apoiaram os sonhos dos três filhos (Dan Ferreira, também ator, Lucas e ele). Sou o caçula. Meus pais sempre prezaram muito pela nossa educação. Eles são um poço de orgulho e ficam muito felizes. Eles se apertaram para nos pagar um bom colégio porque acreditam que a educação transforma. Ver o resultado desse esforço nos três filhos, todos disciplinados e realizados em suas profissões, é um motivo de muito sorriso para eles. Minha mãe é de Xique-Xique, no interior da Bahia. Só eles sabem o que passou para chegar até aqui.

Seus pais têm alguma veia artística? Como o que eles trabalham?

Lá em casa todo mundo é meio artista, só não tem o diploma! O meu irmão Lucas é o mais cômico de todos. Minha mãe é empresária, trabalha com roupas plus size. Ela achou esse nicho há 30 anos, mas há 8 anos, cresceu. Ela desenha as roupas, tem fábrica e vende para lojistas do Brasil todo. Meu pai é militar aposentado, ex-fuzileiro naval. Agora eles viajam e curtem a vida juntos.

Apesar de viver a vida de artista, você demonstra ser uma pessoa muito pé no chão. Como trabalha isso na sua cabeça? A sua família te ajuda a manter essa simplicidade?

Essas ligações diárias me ajudam bastante. Nunca fui de ficar meio deslumbrado, não. Eu só gosto de fazer um bom trabalho. Além de ser uma coisa minha, de ser um cara mais tranquilo, lá em casa nunca entrou muito esse status de glamour. A gente entende que nada é permanente e que tudo é no momento. Não que eu não vá ser mais famoso, não é sobre isso, mas nenhum estado é para sempre. O que de fato cativa as pessoas é o que você é, não necessariamente o que você fez ou o que está fazendo no momento. Quando você trata as pessoas bem, acho que é isso que fica. Agora que as coisas meio que aceleram em termos de imagem para mim, não é agora que vou estar acreditando num falso glamour. Acredito nos elogios. Mas procure entender o que sou desde antes para não me preocupar com o que vai me tornar, porque sei o que sou. Daqui eu não saio. Cresci em Campo Grande, no Rio, e em Salvador, na Fazenda Grande do Retiro, ambos bairros periféricos que me acompanham até hoje e fazem parte de mim. Não tem como isso sair de mim, seria ir contra tudo o que me foi ensinado e tudo o que passei. Acharia meio démodé, careta. As pessoas têm que se apegar ao bem que fazem aos outros, e isso sim é motivo para você ter um ego. Ser uma pessoa agradável é o que faz sentido.

Nas suas redes sociais você é superligado com estilo e moda. Esse lado da moda sempre esteve com você ou surgiu depois do trabalho como ator?

Minha mãe é dona de loja! É uma coisa de que, desde muito cedo, eu sempre gostei. Acho que nunca gostei muito do que era normativo. Lá em casa todo mundo é assim. Dan também é um cara aficionado por moda. Estar nessas semanas de moda hoje em dia e assistir a esses desfiles é um deleite máximo. É como o Breno criança brincando e sendo muito feliz. Claro que, da minha juventude para cá, com os excessos e tudo mais, a gente sabe que não é um meio barato de se transitar. Tenho entrado cada vez mais graças ao meu trabalho, mas é algo que sempre fez parte de mim. Mesmo antes de botar a cara na tela, eu já era a cara que comprava roupa e tentava fazer algo que me agradasse.

E em relação ao corpo e aos cuidados pessoais, você é vaidoso?

Treino por uma questão de saúde. Vou à academia duas ou três vezes por semana, no máximo. Mas me preocupo mais com a alimentação.