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Hélio de La Peña lança documentário em defesa dos mil gols de Pelé

Produção em três episódios reúne depoimentos de Jairzinho, Vampeta e outros nomes do futebol para discutir o legado do Rei

Agência O Globo - 10/06/2026
Hélio de La Peña lança documentário em defesa dos mil gols de Pelé
Pelé - Foto: Reprodução

Reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como o Atleta do Século XX, Pelé construiu uma trajetória marcada por números históricos. Entre seus feitos mais emblemáticos está a marca de mais de mil gols: foram 1.282 tentos ao longo da carreira, somando partidas oficiais e amistosos. A Fifa, porém, considera apenas os gols em jogos oficiais, o que reduz a contagem atribuída ao brasileiro para 776.

Inconformado com a diferença entre os registros, o ator e humorista Hélio de La Peña produziu o minidocumentário “Pelé, o eterno Rei”, que busca responder a uma questão central: estaria em curso um apagamento do legado do maior jogador de futebol da história?

“Comecei a ver a imprensa europeia colocando o Pelé atrás do Messi e do Cristiano Ronaldo e achei um completo disparate, uma tentativa de desprezar os craques do passado. Acho que alguns gols do Pelé feitos durante a Seleção do Exército e alguns amistosos de pequena importância poderiam, sim, ser desconsiderados, porque não dariam nem, no máximo, 20 gols”, estima o humorista, que chegou a interpretar o ídolo no programa “Casseta & Planeta Urgente!”.

“Mas eles acabaram desprezando gols feitos em amistosos que os times faziam na época para faturar, porque antes não havia patrocínio como há hoje. E não eram joguinhos desprezíveis: eles jogavam contra Juventus, Real Madrid, Barcelona. Eram jogos de verdade, com público expressivo”, acrescenta La Peña.

Botafoguense e fã do camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira, La Peña avalia que a mudança na forma como parte do público e da imprensa enxerga o Rei do Futebol — único jogador da história a vencer três Copas do Mundo, em 1958, 1962 e 1970 — pode ter motivações financeiras.

“Esse tipo de coisa, no fim das contas, tem o objetivo de valorizar os jogadores atuais, que ainda estão rendendo financeiramente. E aí você vai ‘apagando’ aqueles que capinaram essa estrada quando tudo era mato. O número de seguidores e quanto uma marca pode faturar com a imagem de um jogador, sem dúvida, acaba sendo um critério a ser levado em conta”, afirma.

A produção, dividida em três episódios, conta com a participação de atletas de diferentes gerações, como o tricampeão mundial Jairzinho Furacão, o pentacampeão Vampeta e Danilo, zagueiro do Flamengo. Além dos jogadores, Hélio também conversou com o jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, autor do livro “Rei: O livro sobre o homem incomparável a quem tentam se comparar”, e com o pai de Neymar, responsável por repatriar a marca Pelé para o Brasil.

“Hoje em dia parece que a história começou nos anos 2000, e tudo o que aconteceu antes é colocado em segundo plano. Outras questões, como a racial, também foram abordadas”, detalha o humorista, para quem comparações entre jogadores de épocas diferentes são sempre subjetivas.

“A gente pode comparar o Ronaldo Fenômeno, o Ronaldinho Gaúcho, o Romário, o Messi, mas o Pelé está em outro patamar. Eu até falo no segundo episódio que todo grande jogador, de alguma forma, é comparado ao Pelé porque ele é referência. Vários jogadores ficaram famosos pelo futebol, mas o futebol só ficou famoso graças ao Pelé”, completa.

Questionado se encontrou uma resposta para a pergunta que orienta o minidocumentário, Hélio de La Peña afirmou perceber um movimento perigoso de desvalorização da história do futebol.

“Recentemente, até mandei mensagem para o Zico quando ele questionou a existência do ‘artilheiro do Novo Maracanã’, que é o Pedro. Mas é aquela coisa: quantas pessoas assistiram ao Zico? E quantas pessoas hoje estão vendo o Pedro? No fim das contas, você acaba considerando o que está sendo visto no momento”, observa.

Dividido em três episódios, o minidocumentário está disponível nos canais do UOL. O roteiro foi escrito por Hélio de La Peña em parceria com Paloma Santos, com direção e produção de Eduardo Belo.