Cultura Pop
Neguinho da Beija-Flor relata episódios de racismo em viagens de primeira classe
No Dia da Consciência Negra, Globoplay lança série documental sobre a trajetória do cantor
Nesta quinta-feira (20), data em que se celebra o Dia da Consciência Negra, a trajetória de Neguinho da Beija-Flor ganha destaque na nova série documental do Globoplay. Em quatro episódios, "Neguinho da Beija-Flor: Soberano da Avenida" apresenta não apenas a relação do artista com o carnaval, mas também suas conquistas e desafios, incluindo episódios marcantes de racismo vividos ao longo da carreira.
Ao EXTRA, Neguinho compartilhou reflexões sobre as barreiras enfrentadas pela população negra no Brasil: "O negro, para chegar à igualdade, tem que ser duas vezes mais".
O cantor de 76 anos relata situações de preconceito, mesmo após o reconhecimento público: "Ele pode até ter condições de frequentar lugares caros, mas não frequenta porque sabe que vai ser discriminado. Talvez eu sinta menos porque sou conhecido. Minha situação financeira melhorou, mas continuo negro. Quando faço viagem internacional na primeira classe, boto óculos escuros e observo. Sempre vejo alguém cochichando: 'O que esse cara está fazendo na primeira classe com passagem de R$ 19 mil?'. Em restaurante, as pessoas ficam incomodadas com minha presença".
Neguinho também ressaltou a importância do Dia da Consciência Negra, data escolhida para o lançamento do documentário: "A gente ainda tem que lutar muito contra o racismo. O Brasil é um país feito de preconceito. Muito se fala no holocausto, mas a história do negro no Brasil é comparável ou pior. As pessoas costumam dizer que o 13 de maio foi uma data memorável, mas se esquecem de que a pior data foi o 14 de maio, porque nós fomos deixados sem casa, sem comida e sem trabalho. Hoje temos desembargadores, advogados... Acho que já conquistamos alguma coisa, mas vai demorar muito para chegar num patamar de igualdade do sinhozinho".
Longe dos microfones de sua escola de samba após deixar a agremiação do coração, Neguinho da Beija-Flor segue compondo. Recentemente, seu nome foi cogitado para uma candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, mas o sambista desconversou: "Deixa para a Benedita (da Silva, do PT), que eu considero minha irmã. É madrinha do meu filho, minha benfeitora. Meu negócio é compor e cantar samba".
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