Conhecimento
Pesquisa internacional avalia pré-escola de três estados e mostra que brasileiros saem atrás na aprendizagem dos números
Por outro lado, país fica na média nos conhecimentos de leitura que são ensinados ainda antes da alfabetização, aponta estudo
Um estudo internacional revelou que os alunos brasileiros da pré-escola nos estados de São Paulo, Ceará e Pará apresentam desempenho semelhante aos dos países europeus em alfabetização , mas ficam abaixo da média em numeracia . O Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (IELS, na sigla em inglês) foi conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com apoio no Brasil de uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
A alfabetização abrange habilidades desenvolvidas antes do letramento formal, como consciência fonológica, conhecimento alfabético, vocabulário e oralidade. Nesse aspecto, os três estados brasileiros avaliados alcançaram uma média de 502 pontos, avançando acima da média internacional (500).
Em contrapartida, a numeracia — que envolve a compreensão e aplicação de conceitos matemáticos básicos, como contagem, formas e detalhes — apresentou resultados preocupantes. Segundo a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a média dos alunos brasileiros foi de 456 pontos, significativamente abaixo da média internacional de 500.
"Diferentemente da alfabetização, a variação de resultados é maior entre alunos brasileiros de diferentes níveis socioeconômicos (NSE), o que indica a coexistência de crianças com níveis muito distintos de domínio dessas habilidades. Enquanto 80% das crianças de NSE alto dominam o reconhecimento de numerais, esse índice cai para 68% entre as de NSE baixo", destaca a fundação em nota.
No Brasil, o estudo foi coordenado pelos pesquisadores Mariane Koslinski e Tiago Bartholo, do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ). A coleta de dados envolveu 2.598 crianças, distribuídas em 210 escolas — sendo 80% públicas e 20% privadas — nos estados do Ceará, Pará e São Paulo. A amostra é representativa para os três estados e contorno com alta adesão de municípios, escolas, professores, responsáveis e crianças.
A pesquisa também aponta que, nesses estados, as famílias leem menos para as crianças e realizam menos atividades ao ar livre do que a média dos países da OCDE. Confira alguns destaques:
Leitura em casa – 53% das famílias nunca ou raramente leem para as crianças. Apenas 14% dos responsáveis brasileiros realizam essa atividade entre 3 e 7 vezes por semana, enquanto a média internacional é de 54%.
Passeios – Atividades ao ar livre, como caminhadas e brincadeiras, são frequentes em apenas 37% das famílias brasileiras, abaixo da média internacional de 46% entre os países participantes do IELS.
Escuta – Mais da metade das famílias (56%) conversam com as crianças sobre sentimentos entre 3 e 7 dias por semana. Apesar de ser uma prática mais comum relatada pelos responsáveis no Brasil, a frequência é menor que a mídia internacional, que chega a 76%.
Tecnologia – Responsáveis e cuidadores informam que 50,4% das crianças utilizam dispositivos digitais em casa todos os dias, percentual superior à mídia internacional (46%).
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