Conhecimento

Pesquisa internacional avalia pré-escola de três estados e mostra que brasileiros saem atrás na aprendizagem dos números

Por outro lado, país fica na média nos conhecimentos de leitura que são ensinados ainda antes da alfabetização, aponta estudo

Agência O Globo - 05/05/2026
Pesquisa internacional avalia pré-escola de três estados e mostra que brasileiros saem atrás na aprendizagem dos números
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um estudo internacional revelou que os alunos brasileiros da pré-escola nos estados de São Paulo, Ceará e Pará apresentam desempenho semelhante aos dos países europeus em alfabetização , mas ficam abaixo da média em numeracia . O Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (IELS, na sigla em inglês) foi conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com apoio no Brasil de uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

A alfabetização abrange habilidades desenvolvidas antes do letramento formal, como consciência fonológica, conhecimento alfabético, vocabulário e oralidade. Nesse aspecto, os três estados brasileiros avaliados alcançaram uma média de 502 pontos, avançando acima da média internacional (500).

Em contrapartida, a numeracia — que envolve a compreensão e aplicação de conceitos matemáticos básicos, como contagem, formas e detalhes — apresentou resultados preocupantes. Segundo a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a média dos alunos brasileiros foi de 456 pontos, significativamente abaixo da média internacional de 500.

"Diferentemente da alfabetização, a variação de resultados é maior entre alunos brasileiros de diferentes níveis socioeconômicos (NSE), o que indica a coexistência de crianças com níveis muito distintos de domínio dessas habilidades. Enquanto 80% das crianças de NSE alto dominam o reconhecimento de numerais, esse índice cai para 68% entre as de NSE baixo", destaca a fundação em nota.

No Brasil, o estudo foi coordenado pelos pesquisadores Mariane Koslinski e Tiago Bartholo, do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ). A coleta de dados envolveu 2.598 crianças, distribuídas em 210 escolas — sendo 80% públicas e 20% privadas — nos estados do Ceará, Pará e São Paulo. A amostra é representativa para os três estados e contorno com alta adesão de municípios, escolas, professores, responsáveis ​​e crianças.

A pesquisa também aponta que, nesses estados, as famílias leem menos para as crianças e realizam menos atividades ao ar livre do que a média dos países da OCDE. Confira alguns destaques:

Leitura em casa – 53% das famílias nunca ou raramente leem para as crianças. Apenas 14% dos responsáveis ​​brasileiros realizam essa atividade entre 3 e 7 vezes por semana, enquanto a média internacional é de 54%.

Passeios – Atividades ao ar livre, como caminhadas e brincadeiras, são frequentes em apenas 37% das famílias brasileiras, abaixo da média internacional de 46% entre os países participantes do IELS.

Escuta – Mais da metade das famílias (56%) conversam com as crianças sobre sentimentos entre 3 e 7 dias por semana. Apesar de ser uma prática mais comum relatada pelos responsáveis ​​no Brasil, a frequência é menor que a mídia internacional, que chega a 76%.

Tecnologia – Responsáveis ​​e cuidadores informam que 50,4% das crianças utilizam dispositivos digitais em casa todos os dias, percentual superior à mídia internacional (46%).