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Tiradentes: De alferes e dentista a mártir da Independência

Conheça a trajetória de Joaquim José da Silva Xavier e os ideais que o tornaram o maior símbolo da Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa

Redação 21/04/2026
Tiradentes: De alferes e dentista a mártir da Independência
- Foto: Reprodução

Tiradentes era o apelido de Joaquim José da Silva Xavier, nascido em 12 de novembro de 1746, na cidade de Ritápolis, Minas Gerais.

Durante o período colonial, ele desempenhou várias profissões. Entre elas, estava a de dentista amador, por isso foi apelidado de Tiradentes. Ele também tentou a sorte como minerador, mascate (mercador ambulante) e alferes (patente abaixo da de tenente) da cavalaria subordinada à Coroa portuguesa.

Apesar de tantas ocupações, a que marcou seu nome como um herói nacional foi sua posição de liderança na Inconfidência Mineira, movimento contra o domínio colonial português. A também conhecida como Conjuração Mineira teve como principal motor a insatisfação com as políticas fiscais praticadas pela Coroa. O movimento começou em 1789 e terminou em 1792.

A história de Tiradentes na Inconfidência Mineira

Ao longo do século XVIII o Brasil gerava muitos lucros à Coroa portuguesa através da exploração do ouro mineiro, pois era cobrado um alto imposto da população que trabalhava neste processo, o chamado quinto, que correspondia a 20% do peso do ouro extraído.

Com o passar do tempo, a capacidade de mineração no território foi diminuindo, mas a arrecadação de impostos aumentava. Em 1788, Portugal nomeou o 6º Visconde de Barbacena como governador da capitania para promover a derrama, que era a cobrança obrigatória dos impostos atrasados sobre a extração do ouro, o que permitia, inclusive, que oficiais confiscassem bens materiais dos devedores.

Intelectual, Tiradentes inspirou-se nas ideias de revolucionários iluministas e na independência dos Estados Unidos para articular um movimento que visava libertar o país do domínio português e o povo da opressão. Assim, juntou-se a padres, coronéis, poetas e advogados para planejar um motim contra Portugal, a metrópole.

O movimento conspirado pelas elites mineradoras, entretanto, não chegou a acontecer. Todos os envolvidos foram denunciados por Joaquim Silvério dos Reis, que optou por entregar o grupo para se livrar das dívidas pessoais que havia adquirido com a Coroa portuguesa. Assim, em 1789, o visconde de Barbacena suspendeu a derrama e prendeu os envolvidos na conspiração — entre eles, Tiradentes.

A prisão de Tiradentes ocorreu após um processo de julgamento que estendeu-se por três anos. Durante esse período, muitos dos presos negaram sua participação no movimento, com exceção de Tiradentes, que reconheceu abertamente seu envolvimento.

A sentença dos inconfidentes saiu em 1792 e determinava a pena de morte por enforcamento a dez pessoas. Entretanto, por intermédio da Rainha D. Maria I, nove dos envolvidos na Inconfidência foram perdoados e condenados ao exílio, enquanto a sentença de morte foi mantida para apenas um: Tiradentes.

Atribui-se esse fato a duas possibilidades: a primeira afirma que a sentença só foi mantida a Tiradentes por ele não pertencer à elite mineradora e, portanto, não possuir influência na Coroa.

A segunda possibilidade levantada pelos historiadores é a de que, por falar abertamente do seu envolvimento na conspiração durante o interrogatório, Tiradentes foi considerado um elemento perigoso pela Coroa e, por isso, deveria ser eliminado.

No dia 21 de abril de 1792, ele foi enforcado na Praça da Lampadosa (atual Praça Tiradentes), no centro do Rio de Janeiro, como exemplo para toda a população. Acredita-se que antes de morrer, Joaquim da Silva Xavier disse: “Jurei morrer pela independência do Brasil, cumpro a minha palavra!”

A partir daí, ele passou a ser um ícone da liberdade e da independência brasileira. O Dia de Tiradentes é um feriado nacional. O governo provisório de Deodoro da Fonseca estabeleceu o dia 21 de abril como feriado por meio do Decreto nº 155-B, de 14 de janeiro de 1890.