Cidades
Do quintal às margens da lagoa: Réveillon do Alto celebra 15 anos de história no Pontal da Barra
Com Mumuzinho e talentos alagoanos na programação, evento comemorativo da virada para 2027 alia crescimento, estrutura premium e valorização da identidade local
O que começou em 2012 como uma reunião despretensiosa entre cerca de dez amigos no quintal de uma casa no Trapiche da Barra transformou-se em uma das festas de fim de ano mais tradicionais da capital alagoana. Ao completar 15 anos de trajetória, o projeto Partido Alto se prepara para vivenciar mais um marco: o Réveillon do Alto 2027, que será realizado no dia 31 de dezembro, na Motonáutica Lagoa Clube, localizada no icônico bairro do Pontal da Barra.
Para celebrar a marca histórica, a edição comemorativa traz o sambista Mumuzinho como uma das principais atrações nacionais. No entanto, sem perder o vínculo com suas origens, o evento mantém o compromisso de valorizar a cena musical alagoana, escalando artistas da terra como Fabi Canuto, Alan Araújo e Momx DJ para compor a grade da noite.
Tradição e conceito "Renda-se ao Alto"
Localizado às margens da Lagoa Mundaú, o Pontal da Barra não servirá apenas como cenário, mas como elemento central do conceito da festa. Sob o mote “Renda-se ao Alto”, a edição faz uma homenagem direta ao artesanato do filé e às artesãs que preservam a tradição, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas.
A proposta integra a riqueza cultural, gastronômica e a paisagem do bairro a uma experiência premium de open bar e open food. A estrutura foi desenhada para acompanhar o crescimento do público sem abrir mão do conforto, contando com lounges, redários, áreas de descompressão ao ar livre e amplos espaços de circulação.
Trajetória de construção
Idealizado pelo empresário Jommer Dantas quando ele tinha apenas 19 anos, o projeto passou por uma expansão gradual. Com o público do "samba no quintal" crescendo até atingir centenas de pessoas, o evento migrou para espaços maiores. Em 2018, nasceu o Réveillon do Alto, criado para oferecer uma festa de virada com identidade própria no calendário maceioense.
A mudança definitiva para a Motonáutica ocorreu em 2019, acompanhada por um salto na estrutura e no alcance do evento. "Se eu tivesse que resumir esses 15 anos em uma palavra, seria construção. Foi ano após ano construindo, aprendendo, se adaptando e se renovando. Esse sempre foi o nosso grande desafio", reflete Jommer, hoje aos 32 anos.
A manutenção dos artistas locais no palco principal, mesmo com a chegada de grandes nomes nacionais, é apontada pelo organizador como pilar indispensável do projeto. "Se você pegar as raízes do Partido Alto e do Réveillon do Alto, tudo começou com os artistas locais. Sempre que possível, a gente vai abraçar essa galera, porque é quem fomenta a cultura musical na cidade", afirma.
Memória afetiva e clima intimista
Apesar da dimensão alcançada, a festa preserva uma atmosfera acolhedora que atrai tanto moradores quanto visitantes de outros estados. É o caso do engenheiro e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Guilherme Barbosa. Alagoano radicado em Recife, ele costuma retornar a Maceió nas festas de fim de ano e já garantiu presença no evento pelo terceiro ano consecutivo.
"O grande diferencial do Alto é essa sensação de estar realmente em uma festa de Ano Novo, perto dos amigos, com conforto para circular, conversar e aproveitar. Mesmo sendo um evento grande, é uma experiência mais intimista", relata Guilherme.
Ao longo de uma década e meia, o projeto acumulou laços com o público que vão além do entretenimento. De inícios de namoro e pedidos de casamento a apadrinhamentos, o evento acabou se incorporando à história pessoal de seus frequentadores.
"Para mim, é muito gratificante ter iniciado um projeto que está tão diretamente ligado ao emocional das pessoas", conclui Jommer. "O Réveillon não é apenas uma festa; é o dia mais especial do ano, onde as pessoas mais agradecem e mais sonham com suas realizações."
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