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Mais um bebê morre no Hospital da Cidade de Maceió, inaugurado por JHC

Defendido pelo ex-prefeito como referência, HC volta a ser alvo de denúncia de suposta negligência em menos de 40 dias

10/09/2026
Mais um bebê morre no Hospital da Cidade de Maceió, inaugurado por JHC
Mais um bebê morre no Hospital da Cidade de Maceió, inaugurado por JHC

Mais um bebê morreu após o parto no Hospital da Cidade de Maceió, unidade inaugurada na gestão do ex-prefeito e atual candidato ao Governo de Alagoas, JHC (PSDB). A família acusa o hospital de demora no atendimento à gestante e levanta a suspeita de negligência. A direção contesta a versão e afirma que todos os protocolos médicos foram cumpridos.

O bebê Henrique morreu pouco depois do nascimento. Segundo os parentes, a mãe, grávida de nove meses, chegou ao hospital por volta das 7h, já apresentando sangramento. Ela teria passado por um exame inicial e sido encaminhada à triagem, mas só foi levada ao centro cirúrgico após o agravamento do quadro.

“Quando foram olhar ela pela segunda vez, já estava sangrando, já tinha sangue pela sala e o chinelo dela estava cheio de sangue. Aí correram com ela para a sala de cirurgia”, relatou Rita, avó materna da criança.

A avó paterna, que acompanhou o parto, afirmou ter ouvido Henrique chorar após o nascimento, mas percebeu que ele não apresentava reação. A equipe médica realizou procedimentos de reanimação, mas o bebê não resistiu. A mãe permanece internada.

Na noite de quarta-feira (9), a direção médica reuniu-se com a família para explicar os procedimentos adotados e as circunstâncias da morte. Os parentes, no entanto, sustentam que o desfecho poderia ter sido diferente se a cesariana tivesse sido realizada logo após a chegada da gestante.

O coordenador médico da obstetrícia do Hospital da Cidade, Ramon Carneiro, negou que tenha ocorrido negligência. Segundo ele, a paciente apresentou uma intercorrência obstétrica grave, súbita e sem sinais anteriores que permitissem prever o quadro.

“Quando a equipe fez o diagnóstico do quadro clínico, já procurou fazer todas as condutas de imediato. Do diagnóstico até a resolução do parto, transcorreram 20 minutos”, afirmou.

O médico disse que o bebê foi retirado com vida, mas não respondeu como esperado durante a reanimação neonatal. Segundo ele, a rapidez da equipe também foi determinante para preservar a vida da mãe. O prontuário, ainda de acordo com o hospital, não registra que a gestante apresentava sangramento no momento da admissão.

O caso será apurado internamente. “Até então, a gente não percebeu nenhuma negligência médica. Muito pelo contrário, a gente percebeu uma atuação médica exemplar, que conseguiu salvar a vida da mãe”, declarou Ramon Carneiro.

Segunda morte em menos de 40 dias


É a segunda vez, em menos de 40 dias, que a morte de um bebê provoca acusações contra o atendimento prestado pelo Hospital da Cidade. Em 3 de agosto, Nícolas Ravi morreu após nascer prematuramente na recepção da unidade.

A mãe, Morgana Lopes, de 21 anos, chegou ao hospital com aproximadamente 24 semanas de gestação e fortes dores. Segundo a família, ela teria aguardado cerca de uma hora e entrou em trabalho de parto ainda na recepção. O bebê foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu. [Na ocasião, o hospital informou que a gestante evoluiu rapidamente durante a triagem e abriu um procedimento interno para investigar o atendimento.

O Hospital da Cidade foi inaugurado por JHC em 2024 e apresentado como a primeira unidade hospitalar municipal de Maceió. O complexo também passou a abrigar a primeira maternidade pública mantida pelo município.

Embora JHC tenha deixado a prefeitura em abril de 2026 para disputar o Governo de Alagoas, o candidato continua utilizando o hospital como uma das principais vitrines de sua administração e defende que o modelo implantado em Maceió seja levado para todo o Estado.

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