Cidades

Com apoio do PAS, grupos de Guerreiro mantém vivo legado cultural

Coletivos renovam estrutura de espaços de ensaio, figurinos, equipamentos de som e instrumentos

Assessoria 22/08/2026
Com apoio do PAS, grupos de Guerreiro mantém vivo legado cultural

Maceió, 22 de agosto de 2026 – No dia em que as tradições populares do Brasil são exaltadas, 22 de agosto, dois grupos de Guerreiro nascidos nas Chãs da Jaqueira e de Bebedouro, em Maceió, podem celebrar o legado de seus mestres. O Guerreiro São Pedro Alagoano e o Guerreiro Treme-Terra de Alagoas carregam juntos mais de 50 anos de representatividade do folguedo considerado Patrimônio Imaterial de Alagoas. Os dois são atendidos no Programa de Apoio Cultural do Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS), que viabiliza melhorias de estrutura, equipamentos e serviços para os coletivos.

Executado através do Acordo Socioambiental firmado pela Braskem e Ministério Público Federal (MPF), com a participação do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e adesão do Município de Maceió, o PAS possibilita a confecção de figurinos novos, chapéus e adereços, a aquisição de equipamentos de som e instrumentos musicais entre outros, e a contratação de serviços para atender a necessidades específicas de cada coletivo. Além do acesso aos recursos financeiros, os coletivos participam de capacitações para o desenvolvimento sustentável das atividades enquanto negócio. Para este ano, também estão previstas ações de apoio socioemocional aos brincantes.

"Quando o PAS auxilia grupos de Guerreiro e outras manifestações da cultura popular de Alagoas, vai muito além de destinar recursos. Estamos falando de promover iniciativas para preservar a memória e a identidade de práticas culturais dos bairros desocupados. Cada cantoria, cada passo de trupé e cada figurino carrega saberes que atravessam gerações, e estamos trabalhando para que isso não se perca", comenta Raineldes Melo, gerente de Ações Sociais da Braskem.

*Cartão postal*

Os Guerreiros são conhecidos por carregarem em sua indumentária símbolos de fé, alegria, pertencimento e força. A manifestação é caracterizada pelos chapéus cheios de espelhos, fitas e miçangas coloridas que representam as igrejas favoritas de seus mestres. Tem apito, pandeiro, sanfona, palhaço, rainha e um tropel típico do folguedo que reúne referências do Reisado, Pastoril, Bumba-meu-boi, Caboclinhos, Chegança, Fandangos e outras tradições presentes em autos e brincadeiras da região.

Espalhados na capital e no interior, os grupos de Guerreiro são o cartão postal da cultura popular do estado. Em Maceió, os chapéus em formato de igreja estão em esculturas gigantescas e em miniaturas para quem quer levar um pedacinho de Alagoas para casa.

*São Pedro Alagoano*

Fundado em 1998, no bairro Chã da Jaqueira, pelo Mestre Juvenal Domingos – reconhecido como Patrimônio Vivo de Alagoas –, o São Pedro Alagoano se reestruturou com o apoio do PAS. Adquiriu equipamentos como uma nova sanfona, tecidos, adereços e outros materiais utilizados nas vestimentas, e armários para guardar os figurinos.

A sala da casa da coordenadora do grupo, Maria Helena da Silva, a “Dona Marlene”, que historicamente funciona como espaço de ensaio, ganhou nova pintura e foi reestruturada. "Ver tudo arrumadinho me deixa muito feliz, porque o Guerreiro é minha vida”, diz a costureira de 75 anos, brincante desde os 9.

*Treme-Terra de Alagoas*

Já o Guerreiro Treme-Terra foi criado na década de 1980, na Chã de Bebedouro, e faz parte da herança cultural deixada pelo Mestre Benon, outro Patrimônio Vivo de Alagoas. O grupo chegou a ficar desativado de 2016, ano da morte do seu idealizador, até 2024, quando o filho de Benon, Mestre Peitika, resolveu manter o legado do pai.

"O Guerreiro foi o ouro, a herança que meu pai deixou para mim, e tudo o que ele me ensinou, eu preciso levar adiante. Esse era o sonho dele. Mas reativar o Treme-Terra não foi fácil. Sofri com muitas dificuldades, sem espaço para brincar e dinheiro para comprar os trajes", relembra Peitika.

Hoje os 20 brincantes do Treme-Terra ensaiam em um espaço disponibilizado pelo poder público. Além disso, com o apoio do PAS, o grupo adquiriu sanfona, equipamentos de som, guarda-roupa, materiais para a confecção dos figurinos e adereços. "A ajuda chegou na hora que a gente mais precisava. Eu, que nunca imaginei comprar uma sanfona, hoje estou rico", brinca o mestre.

*Grande Poder*

O Guerreiro Grande Poder é uma demonstração da força do legado do saudoso Mestre Verdelinho, celebrado como um dos grandes nomes do Coco e mateu de Guerreiro de sua geração. O grupo nasceu em 2023 e estreou oficialmente para o público há um ano. Hoje, é composto por 27 integrantes, liderados pelo Mestre Nildo, filho de Verdelinho. Nildo e os irmãos formaram ‘Os Verdelinhos’ e, juntos, desenvolvem desde 2005 iniciativas culturais que buscam preservar o legado do pai.

*Cultura no PAS*

Além dos grupos de Guerreiro, outros 16 coletivos da Cultura Popular e Afrobrasileira serão atendidos até o final do ciclo de 2026 no Programa de Apoio Cultural. O Programa também colabora com iniciativas voltadas para o resgate de festividades tradicionais nos bairros de Chã da Jaqueira, Chã de Bebedouro, Bom Parto, Vila Saem e Pinheiro.

Outra ação para a cultura prevista no PAS está em andamento com mais de 100 projetos voltados a manifestações da Cultura Popular e Afrobrasileira, contemplados no Edital Cultura em Movimento. Acompanhe os eventos no perfil @editalculturaemmovimento.

Um Inventário de Patrimônio Cultural Imaterial também foi realizado. O trabalho foi conduzido por especialistas da Fundepes/UFAL e identificou atores culturais e manifestações tradicionais relacionados às áreas desocupadas e ao entorno.



*Sobre o PAS*
O Plano de Ações Sociourbanísticas está previsto no Termo de Acordo Socioambiental firmado pelo Ministério Público Federal (MPF) e Braskem, com a participação do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e adesão do Município de Maceió. As iniciativas incluem a construção ou reforma de creches, mercados, praças e unidades de saúde, medidas nas áreas cultural, social, econômica e urbanística. Parte das ações é executada pela Braskem; outra pelo Município. O orçamento atualizado, custeado pela companhia, é de R$ 260 milhões.