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“Essa conta não bate”: Rui Palmeira questiona mais R$ 523 milhões em empréstimos da Prefeitura de Maceió

Em vídeo publicado nas redes sociais, vereador compara endividamento municipal à realidade de uma família e pergunta por que a gestão busca mais crédito enquanto fornecedores denunciam atrasos e serviços básicos enfrentam dificuldades

Redação 27/07/2026
“Essa conta não bate”: Rui Palmeira questiona mais R$ 523 milhões em empréstimos da Prefeitura de Maceió
“Essa conta não bate”: Rui Palmeira questiona mais R$ 523 milhões em empréstimos da Prefeitura de Maceió - Foto: Reprodução / Instagram

O vereador Rui Palmeira (PSD) voltou a questionar a situação financeira da Prefeitura de Maceió. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar forneceu uma comparação com o orçamento das famílias alagoanas para criticar o novo pacote de empréstimos solicitados pela administração municipal.

“Você pegaria dinheiro emprestado por um banco devendo a vários outros?”, questiona Rui logo no início da publicação.

Segundo o vereador, é exatamente isso que estaria acontecendo com as finanças da capital alagoana: a Prefeitura, mesmo acumulando compromissos financeiros, dívidas com fornecedores e atrasos de atrasos, pretende contratar mais de meio bilhão de reais em novas operações de crédito.

Rui explicou a situação utilizando como exemplo a rotina de uma família que precisa pagar transporte, água, energia elétrica, alimentação e outras despesas. Quando aparece um imprevisto e é necessário solicitar um empréstimo, essa família sabe que terá de reduzir gastos nos meses seguintes para conseguir pagar as parcelas.

"Você começa a deixar de ir ao shopping passear com as crianças, de pedir lanche toda semana, de comprar umas roupinhas novas. Esse é o normal para toda família: cortar o gasto para conseguir pagar aquela dívida", afirmou.

Para o vereador, entretanto, a Prefeitura de Maceió estaria seguindo o caminho contrário. Em vez de reduzir despesas, reorganizar as contas e explicar onde foram aplicados os recursos obtidos anteriormente, o município continua ampliando o volume de financiamentos.

Novos pedidos somam R$ 523 milhões


A Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal quatro projetos solicitando autorização para novas operações de crédito. Os pedidos somam aproximadamente R$ 523,4 milhões, considerando a conversão para reais do financiamento internacional.

As operações previstas são:

• R$ 97.235.769,26 junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES;
• R$ 29.820.000,00 junto à Caixa Econômica Federal;
• US$ 48 milhões junto à Corporação Andina de Fomento, a CAF, equivalentes a aproximadamente R$ 246 milhões;
• R$ 150 milhões em uma segunda operação com o BNDES.

De acordo com as justificativas apresentadas pelo Executivo, os recursos seriam destinados a projetos de desenvolvimento urbano, resiliência climática, transformação digital, modernização administrativa, segurança urbana e garantias relacionadas à Parceria Público-Privada do Centro Administrativo.

O questionamento de Rui Palmeira, porém, não se limita à destinação anunciada para o dinheiro. O vereador cobra explicou sobre a capacidade de pagamento do município e sobre os resultados concretos dos empréstimos já autorizados.

Operações podem chegar a R$ 2,77 bilhões


Levantamento com base em leis municipais, projetos enviados à Câmara e documentos oficiais indicam que, entre 2021 e 2025, foram autorizados R$ 1.275 bilhões em financiamentos em moeda nacional e US$ 190 milhões em operações externas.

Caso os quatro novos projetos sejam aprovados, o volume total de operações de crédito autorizadas desde 2021 poderá atingir aproximadamente R$ 2,77 bilhões.

No vídeo, Rui Palmeira retoma o avanço do endividamento:

"A Prefeitura já pegou mais de R$ 1 bilhão e agora está gastando mais de R$ 500 milhões. Um novo empréstimo que vai acarretar novos juros e aumentar a Prefeitura de Maceió."

O parlamentar também questionou a reprodução dessa estratégia financeira.

"A Prefeitura resolveu pegar dinheiro emprestado. Depois mais e mais. Já são mais de R$ 1 bilhão e agora querem mais de R$ 500 milhões emprestados", declarou.

“Se tinha tanto dinheiro, por que falta para o básico?”


Outro ponto levantado por Rui é a contradição entre a situação atual e o discurso apresentado anteriormente pelo ex-prefeito JHC, que normalmente destacou o equilíbrio fiscal, o dinheiro na caixa e a capacidade de investimento do município.

O vereador recuperou declarações do ex-gestor e confrontou o discurso com as dificuldades financeiras enfrentadas atualmente pela Prefeitura.

"JHC, essa conta não bate. Se a Prefeitura tinha tanto dinheiro em caixa e tanta capacidade de investimento, por que agora falta até para o básico e a Prefeitura está querendo tomar mais dinheiro emprestado?", perguntou.

Nas declarações anteriores, Rui Palmeira já havia relatado dívidas com empresas prestadoras de serviços, atrasos envolvendo trabalhadores terceirizados, obras paralisadas e uma pendência estimada em R$ 45 milhões com uma das empresas responsáveis ​​pela coleta de lixo da capital.

Os problemas contrastaram, segundo o parlamentar, com o crescimento da arrecadação municipal e com o elevado volume de crédito autorizado ao longo dos últimos anos.

A dívida fica para a população,


embora os empréstimos sejam apresentados como instrumentos para financiar obras e investimentos, as parcelas, os juros e os demais encargos deverão ser pagos pelos cofres públicos nos próximos anos.

É nesse ponto que Rui retoma a comparação com o orçamento familiar. Para ele, uma família individualizada precisa cortar despesas, definir prioridades e saber exatamente quanto pagará pelo empréstimo. A Prefeitura, portanto, deveria agir com a mesma responsabilidade.

Os quatro projetos ainda dependem de autorização da Câmara Municipal de Maceió. O debate deverá envolver não apenas a destinação dos recursos, mas também a capacidade de pagamento da Prefeitura, o impacto dos juros e o comprometimento das receitas das próximas administrações.

A questão levantada pelo vereador permanece: se Maceió tinha dinheiro em caixa, contas equilibradas e elevada capacidade de investimento, por que agora está enfrentando dificuldades para pagar serviços básicos e precisa recorrer novamente aos bancos?

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