Cidades
Da lixeira ao balde de tinta: o apagamento de Júlio Cezar
Operação foi silenciosa, rápida e sem assinatura — exatamente como a propaganda não deveria ser
A velocidade da limpeza pública em Palmeira dos Índios nunca foi tão eficiente. Curiosamente, ela não veio com tapa-buracos, varrição reforçada ou coleta regular — mas com tinta fresca. Apenas um dia após a denúncia publicada pela Tribuna do Sertão, mostrando que o nome do ex-prefeito e atual secretário de Estado, Júlio Cezar, aparecia estampado em lixeiras instaladas no centro da cidade, algo milagroso aconteceu: o nome sumiu.
Desapareceu como quem nunca esteve lá.
Como se não tivesse sido visto.
Como se não estivesse circulando aos olhos de toda a cidade.
Como se tinta apagasse contexto, intenção e… conveniência.
Na manhã desta quinta-feira, moradores flagraram funcionários pintando os espaços onde antes apareciam nomes de pessoas públicas — especialmente o de Júlio Cezar, pré-candidato assumido nos bastidores, ora para deputado estadual, ora para federal. Após a pintura, restaram apenas as placas de lojas comerciais, estas sim aparentemente autorizadas a permanecer na paisagem urbana.
O episódio levantou ainda mais questionamentos do que a denúncia inicial. Se não havia irregularidade, por que apagar tão depressa? Por que agir de forma tão imediata e silenciosa? E quem autorizou — antes e agora — a instalação, a publicidade e a correção emergencial?
A prefeitura não emitiu nota, não explicou o “sumiço relâmpago” e tampouco esclareceu quem custeou as lixeiras, quem autorizou propaganda de pessoas físicas e por que o nome do ex-prefeito estava lá, para começo de conversa.
Nas ruas, a população reagiu com humor ácido:
“Pelo jeito, só a lixeira foi limpa”, disse uma moradora.
Outro completou: “Se apagassem os problemas da cidade com a mesma rapidez, Palmeira estava um paraíso.”
Enquanto isso, fica a cena simbólica:
o nome saiu da lixeira, mas a polêmica ficou na porta da prefeitura.
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