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Heloísa Helena diz que há “proteção” ao Banco Master e cobra CPMI com sessões ao vivo: “o povo precisa ver tudo”

Redação 02/02/2026
Heloísa Helena diz que há “proteção” ao Banco Master e cobra CPMI com sessões ao vivo: “o povo precisa ver tudo”
Heloísa Helena em entrevista

Em entrevista no Congresso Nacional nesta segunda-feira (02), a deputada federal afirmou que há resistência para instalar comissão de investigação e defendeu transparência total. Caso já é alvo de apurações da Polícia Federal e medidas do Banco Central do Brasil.

Uma entrevista concedida hoje (02) pela deputada federal Heloísa Helena (REDE), no Congresso, voltou a jogar luz sobre a crise envolvendo o Banco Master e as pressões políticas em torno da instalação de uma comissão parlamentar para investigar o caso. Na fala, a parlamentar questiona o que chama de “proteção” a uma instituição financeira cercada por denúncias e investigações, cobrando que o assunto seja tratado com transparência total — inclusive com sessões transmitidas ao vivo para que a população acompanhe cada passo do debate.

“Por que tanta proteção?” — e o apelo por transmissão ao vivo


No trecho repercutido nas redes, Heloísa Helena afirma que é “abominável” imaginar que haja resistência inclusive em setores de esquerda para apoiar a investigação, e defende um esforço para garantir que o povo “assista ao vivo” ao funcionamento de uma eventual CPMI, acompanhando depoimentos, debates e procedimentos.
A parlamentar sustenta que, com a investigação exposta ao público, seria possível compreender o que ela chama de “mistérios” por trás do caso — uma referência direta às suspeitas graves que circulam sobre o banco e ao impacto político do episódio.

CPI/CPMI volta ao centro da disputa no Congresso


A entrevista ocorre no mesmo dia em que ganhou força, em Brasília, a movimentação por comissões parlamentares sobre o caso.
Nesta segunda (02), o deputado **Rodrigo Rollemberg protocolou pedido de CPI para investigar o caso na **Câmara dos Deputados, com 201 assinaturas, acima do mínimo exigido.
Nos bastidores, a criação de CPI na Câmara e a articulação por CPMI (mista, com deputados e senadores) viraram também campo de disputa política: há leitura de que uma comissão pode “esvaziar” a outra, dependendo de quem controla o ritmo, os requerimentos e a narrativa pública.

O que já é oficial: PF investiga e Banco Central decretou liquidação


Embora a fala da deputada seja dura e carregada de denúncia política, o caso já está, de fato, inserido em frentes institucionais.
A Polícia Federal deflagrou em janeiro a segunda fase da Operação Compliance Zero, informando que apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master.
No campo regulatório, o Banco Central do Brasil publicou comunicado em 18 de novembro de 2025 decretando a liquidação extrajudicial do Banco Master, com nomeação de liquidante e indisponibilidade de bens, conforme o ato oficial.
No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos instituiu, em janeiro, um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o caso.

O que está em jogo na fala da deputada


O núcleo da entrevista de Heloísa Helena não é apenas a existência do caso — é a suspeita de blindagem política e o temor de que a apuração fique restrita a gabinetes, peças técnicas e disputas internas, sem que a sociedade enxergue quem defende o quê e por quê.
Daí o apelo por uma CPMI com transmissão integral: transformar o processo em vitrine pública, capaz de produzir constrangimento político e pressão social por resultados.
Ao mesmo tempo, o cenário atual impõe um cuidado básico: acusações como “lavagem de dinheiro do narcotráfico” e “esquema de propinas” são extremamente graves e, do ponto de vista jornalístico, precisam ser tratadas como alegações no debate político — enquanto os fatos e responsabilidades são apurados formalmente pelas instituições e, depois, julgados pelo sistema de Justiça.