Do Mineirão a Palmeira dos Índios: o 7 a 1 que não acaba
Há derrotas que não passam. Elas ficam. Grudam na memória coletiva como cicatriz que coça em dia quente. O torcedor fanático da Seleção Brasileira sabe bem disso. Desde aquele fatídico 7 a 1, em 2014, no Mineirão, contra a Alemanha, algo se quebrou. Não foi só o placar. Foi a confiança. A camisa pesou. O hino perdeu força. Daquela tarde até hoje, o torcedor vive entre a lembrança e a desilusão - envergonhado, frustrado, abatido, com a sensação de que a festa virou velório.
O 7 a 1 não foi apenas um jogo. Foi um choque de realidade. A seleção que se vendia como imbatível revelou improviso, soberba e maquiagem. E o torcedor, que acreditou, pagou a conta emocional.
É impossível não ver o paralelo com Palmeira dos Índios.
A cidade acreditou no “escrete do imperador”. Um líder que vinha de dois mandatos à frente da Prefeitura, exibindo obras maquiadas, discursos embalados como Copa do Mundo, promessas vestidas de verde e amarelo. O povo foi convocado a torcer. A vibrar. A acreditar que o time era forte, experiente, pronto para mais uma vitória.
Veio a indicação da tia, Luísa Júlia Duarte. Mudou a camisa, manteve-se o comando. E o que o povo levou?
Um 7 a 1.
Não no placar, mas na vida real. Um 7 a 1 de frustração. Decepção. Gestão que não entrega. Cidade sem obra. Serviços falhando. Infraestrutura se desfazendo. Promessa virando poeira. A cada dia, um gol contra. A cada semana, um erro defensivo. A cada mês, a sensação de que o jogo foi perdido antes mesmo de começar.
E, por falar em futebol, o último fim de semana trouxe mais uma pancada no coração palmeirense. O CSE, time de paixão da cidade, foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Alagoano. Um baque. Uma vergonha esportiva que espelha o desânimo geral. O calendário é cruel: sem elite agora, o CSE só volta a sonhar com a Primeira Divisão se, em 2027, conquistar o título da Segundona — para então retornar apenas em 2028. Até lá, espera, incerteza e arquibancada em silêncio.
Hoje, Palmeira dos Índios vive como aquele torcedor pós-Mineirão: cabisbaixa, chorosa, desacreditada. A arquibancada está vazia de esperança. O apito final parece distante. E a pergunta ecoa pelas ruas: como acreditamos de novo?
O problema não é perder. É não aprender com a derrota. O 7 a 1 ensinou ao futebol brasileiro que maquiagem não ganha jogo. A cidade precisa aprender o mesmo com a política: marketing não constrói cidade; improviso não governa; herança não é projeto.
Torcedor e eleitor têm algo em comum: quando confiam, confiam de verdade. Mas confiança quebrada custa caro. E, como no futebol, a reconstrução só começa quando se admite o erro - sem festa, sem discurso, sem maquiagem.
Porque há 7 a 1 que ficam para sempre. E outros que só passam quando a gestão muda o jogo.
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