Um ano e trinta dias, e, obra nenhuma
Um ano e trinta dias de gestão. Trezentos e noventa e cinco dias. Tempo suficiente para planejar, licitar, iniciar - ao menos - uma obra pública. Mas em Palmeira dos Índios, sob o comando da prefeita Luísa Júlia Duarte, a conta é simples e constrangedora: nenhuma obra. Uma sequer. Nada.
O que se vê pela cidade não é construção; é destruição. Ruas abertas, calçamentos rasgados, poeira no verão, lama no inverno. A paisagem urbana foi confundida com progresso porque há valas por toda parte - obra de quem não é a Prefeitura. A sensação de movimento vem da Águas do Sertão, que cava, remenda mal e segue adiante, vendendo a promessa de um saneamento básico que o cidadão ainda não sentiu na torneira, no esgoto tratado ou na dignidade cotidiana.
É o truque da ilusão: muita rua aberta dá a impressão de obra. Mas obra pública de verdade - com placa da Prefeitura, projeto, cronograma e resultado - não existe. E o dado mais grave: nenhuma licença ambiental foi sequer requerida para construir uma obra municipal durante todo esse período. Nem pedido houve. Não se constrói porque não se planejou. Não se planeja porque não se governa.
A cidade vive de remendos. A gestão, de silêncio. O discurso, de desculpas.
E há a herança. A herança do chamado imperador, o ex-prefeito Júlio César, sobrinho da atual prefeita. O legado não foi projeto, não foi planejamento, não foi base técnica. Foi abandono, descaso e uma cultura administrativa que normalizou o improviso. O que se colhe hoje é a continuidade dessa herança: uma Prefeitura sem obra, sem rumo e sem respeito ao cidadão.
Governar não é cortar fita inexistente. Não é terceirizar a sensação de progresso para uma concessionária. Não é confundir buraco com investimento. Governar é deixar marca concreta - e a marca que ficou, até aqui, é o vazio.
Um ano e trinta dias depois, Palmeira dos Índios não pergunta por milagre. Pergunta pelo óbvio: onde está a obra da Prefeitura? A resposta ecoa nas ruas abertas e nos canteiros vazios: não está.
E quando uma gestão não constrói nada, ela constrói apenas uma coisa — a certeza de que perdeu o tempo que lhe foi dado.
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