Camisa social de manga curta
Crônica
Eu não sou exatamente o tipo de pessoa que vive em função de moda. Aliás, meu guarda-roupa é tão 'senhorio' que, se alguém me dissesse que eu troquei com um cinquentão, não só acreditaria como me sentiria representado, como qualquer personagem do Nick Offerman ou Michael Stuhlbarg interpretando um pai. Ou, como meu amigo João costuma dizer: 'Tenório, você realmente parece um professor de geografia.'
Minha mãe, por sua vez, adora brincar que eu e meu pai fizemos uma troca de guarda-roupa involuntária. Para ela, eu deveria usar as roupas dele e vice-versa, como se fosse um “feirão de roupas familiar”.
Confesso que isso não está muito longe da verdade. De fato, uso algumas camisas que eram do meu pai, relíquias do final dos anos 90 e início dos anos 2000. Um exemplo é a camisa social que ele usou no casamento religioso deles, em 1997. Acho que é o que chamam de "herança em vida" — no meu caso, composta por polos lisas em cores quentes e camisas sociais listradas de manga curta.
Mas enfim... Esta semana, enquanto navegava pelo Instagram, entre vídeos de cinema, trechos de entrevistas, danças aleatórias e memes, me deparei com um influenciador de moda que conseguiu prender minha atenção. Ele estava analisando o figurino de "Queer", novo filme de Luca Guadagnino, assinado por Jonathan Anderson, estilista da Loewe e JW Anderson.
O figurino de Anderson se destaca pelo seu aspecto deliberadamente desgastado, com manchas de óleo e a impressão de uma roupa que ficou esquecida no fundo do guarda-roupa, de tão amassada e surrada pelo uso constante. A peça, levemente amarelada pelo tempo, exibe sinais de suor, consequência do clima quente, e até marcas de vinho barato, que, sem perceber, se espalham durante os dias boêmios em bares de quinta categoria.
No entanto, apesar do desgaste, as peças mantêm uma estrutura impecável, exalando um charme que parece dizer: "Sim, trabalhei o dia inteiro, mas ainda estou estiloso" ou "É antigo, mas ainda dá para usar." Há, assim, um delicado equilíbrio entre elegância e conforto, onde o visual sujo e desalinhado revela uma sofisticação sutil e despretensiosa.
Esse figurino não se limita a um simples detalhe estético ou técnico. Ele é uma extensão emocional da narrativa, representando as personalidades dos personagens e acompanhando a evolução da relação tumultuada do casal protagonista.
Entre tantos detalhes, o influenciador destacou uma peça específica que, segundo ele, merece voltar com força: a camisa social de manga curta. E, olha, ele tem razão. Como já deu para perceber, sou fã declarado desse estilo, e acho que está na hora de renovar meu estoque de camisas.
Afinal, quem não gosta de um toque de formalidade aliado a um ventinho de frescor? Lineu Silva, de "A Grande Família", que o diga!
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