Inteligência artificial chega aos exames de cães e gatos
Tecnologia auxilia análises, mas diagnóstico continua dependendo do médico-veterinário
A próxima consulta do seu cão ou gato pode reunir elementos conhecidos, como exame clínico, histórico, coleta de material e conversa com o médico-veterinário, mas também incluir um participante que não usa jaleco: um algoritmo. A inteligência artificial começa a ocupar espaço na medicina veterinária como ferramenta de apoio à análise de exames e identificação de padrões que podem contribuir para a investigação de doenças.
O avanço dessa tecnologia no setor acompanha um movimento já observado na medicina humana. Sistemas computacionais treinados para analisar grandes quantidades de informações podem comparar imagens, células, resultados laboratoriais e outros dados em busca de padrões. Na veterinária, essas aplicações começam a chegar a equipamentos utilizados em clínicas e laboratórios para atender cães, gatos e outras espécies.
Entre as possibilidades estão análises hematológicas, citológicas, urinárias e parasitológicas. Sistemas de processamento de imagens podem identificar e classificar estruturas presentes nas amostras, organizando informações que posteriormente serão avaliadas pelo profissional responsável pelo atendimento.
Isso não significa que uma máquina passe a determinar sozinha qual doença o animal apresenta. Um resultado laboratorial representa apenas uma parte da investigação. Idade, espécie, histórico clínico, sintomas, exame físico, medicamentos utilizados e condições anteriores continuam necessários para que o médico-veterinário interprete os dados e defina os próximos passos.
A diferença está na capacidade computacional de analisar um volume de informações em períodos menores e reconhecer padrões previamente aprendidos durante o treinamento dos sistemas. Em determinados contextos, isso pode auxiliar na triagem de amostras e indicar alterações que precisam receber atenção do profissional.
A inteligência artificial também pode ser utilizada na análise de imagens. Radiografias, exames de microscopia e outros registros digitais podem ser processados por algoritmos desenvolvidos para localizar padrões associados a determinadas alterações. O resultado funciona como informação adicional, e não como substituição da avaliação clínica.
Esse ponto estabelece um dos limites do uso da tecnologia. Um algoritmo trabalha a partir dos dados utilizados em seu desenvolvimento e das informações que recebe. Se os dados forem insuficientes, apresentarem vieses ou não representarem adequadamente determinado paciente, o resultado também pode ser afetado.
Há ainda questões relacionadas à privacidade e à segurança das informações. Sistemas conectados podem processar dados clínicos dos animais e informações relacionadas aos tutores, aumentando a necessidade de protocolos para armazenamento, acesso e utilização desses registros.
Para quem leva um animal ao consultório, a mudança pode aparecer menos na relação com o veterinário e mais nos bastidores do atendimento. Um exame processado em menos tempo pode antecipar uma decisão sobre testes adicionais ou tratamento, enquanto ferramentas de apoio podem acrescentar uma segunda camada de análise aos resultados.
A tecnologia também não elimina a necessidade de exames complementares. Uma indicação produzida por inteligência artificial pode precisar ser confirmada por outros métodos, dependendo da doença investigada e das condições do paciente.
A entrada dos algoritmos na medicina veterinária, portanto, não transfere a responsabilidade clínica para a máquina. Ela acrescenta uma ferramenta ao conjunto já utilizado por profissionais para investigar o que acontece com cães e gatos. Para o tutor, talvez a mudança mais perceptível esteja na velocidade e na quantidade de informações disponíveis. Para o médico-veterinário, permanece a tarefa que nenhum resultado isolado resolve: reunir os dados, examinar o paciente e decidir o que eles significam.
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