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Cinara Corrêa escreve: JHC repete Collor com a “estética do super-homem”
Um jovem que “desafia a velha política e os velhos coronéis”. Movido pela coragem para fazer “a verdadeira mudança”, ele atropela partidos e demais instâncias na esfera institucional. O que importa é a replicação de uma marca fácil de ser assimilada. Para conquistar corações e mentes, o caminho escolhido é o marketing agressivo que prioriza o personalismo. Nessa perspectiva, uma ideia central é a busca por uma ligação direta com o povo. Resumindo: a juventude, a valentia e a virilidade “contra tudo isso o que está aí”.
Falamos de Fernando Collor? Sim, pode ser. O “caçador de marajás” chegou onde chegou com esse discurso e essas “qualidades”. Para ir do governo de Alagoas à Presidência da República, Collor usou e abusou de todos esses recursos – na verdade, clichês de um tipo de propaganda política que embalou projetos autoritários ao longo da História. Nos piores casos, serviu para sustentar regimes violentos que destruíram o que se chama de pacto civilizatório na democracia.

Como a política é, entre outras coisas, o campo do eterno retorno, os cacoetes, digamos, controversos de um Collor, por exemplo, vez por outra reaparecem em determinadas épocas e contextos diversos. Assim, falamos do ex-presidente, mas o perfil descrito na abertura deste texto também se aplica a João Henrique Caldas, o JHC, candidato a governador de Alagoas nas eleições de 2026.
O ex-prefeito de Maceió joga com os mesmos artefatos retóricos de Collor. Ele emula não apenas o discurso, mas também a performance pública. A jovialidade e a força são ressaltadas nos comícios, nas caminhadas, no encontro com eleitores em locais como feiras livres. Como se observa, a “novidade” de JHC tem origem, sobrenome e resultados trágicos para o Brasil.

Embora a cópia mal feita de uma má ideia já seja algo problemático, a semelhança de postura e gestos entre Collor e JHC parece mesmo perturbadora. O último exemplo disso saiu agora mesmo no guia eleitoral na TV. Ali, a propaganda apela ostensivamente para ressaltar o físico do candidato. A forma como abre os braços, os acenos, as corridas e, principalmente, o gesto de mostrar o bíceps – tudo isso é revelador.
Estamos diante de uma estratégia, de um planejamento, e não de um acaso ou de uma coincidência. JHC, assim como Collor, segue a estética do super-homem, da força bruta, da beligerância. Sai da frente ou eles passam por cima. À embalagem do fortão se junta a fala em linha direta com o povão. Quando isso dá certo para o político da vez, não há dúvida, os princípios democráticos correm perigo.
Ninguém é igual a ninguém. Mas, na política, a receita que em alguma medida deu certo acaba sendo plagiada mais cedo ou mais tarde. Parece ser este o fenômeno JHC e seu “muque” exibido com orgulho pela TV e pelas redes sociais. O jovem repete o ideário que já era velho quatro décadas atrás, quando Collor se elegeu governador, para logo depois chegar à Presidência. As urnas vão mostrar o alcance e a atualidade dessa estética que, está demonstrado, dialoga com o que se conhece por fascismo.
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