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Andar com fé nós vamos

Fé. Se tem coisa que a gente tem de monte por aqui é ela. O mundo pode estar caindo, mas ficamos firmes, acreditando até o fim. O que acontece é que tem muita gente de má-fé aproveitando de nossa boa-fé.

Marli Gonçalves 10/07/2026
Andar com fé nós vamos
Marli Gonçalves

Fé é sentimento de vários sentidos, mas acredito – e fielmente - que é especialmente sempre manter convicção no sucesso, no caminho, em algo que acredita de verdade. Há uma forte discussão, inclusive, que os ateus, para serem ateus, tem de ter muita fé, claro que não exatamente em deuses ou dogmas. A coisa vai longe. Não é só religião, embora apareça quase sempre ligada à alguma crença vinda “lá de cima”, divina, em suas variadas formas.

Ter fé é ter alguma certeza nem que seja em algo absolutamente etéreo e impalpável que virá nos ajudar a vencer alguma demanda. Um amuleto, por exemplo, que pode ser qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eleita para cuidar da proteção. Abastecemos aquilo com nossa fé, como uma recarga energética.

Agora mesmo durante a Copa vimos muitos exemplos e deve ter tido gente usando, sei lá, a mesma cueca de quando o Brasil ganhou no passado alguma dessas taças ou estrela que tanto queríamos ganhar mais uma para esfregar no mundo. Problema é que o sentimento de derrota também pode ser bem mais pesado quando se tem uma fé contraditada, como o foi agora.

Por conta dela tem muita gente atualmente se afundando em dívidas por fazer uma fezinha em jogos, com essas bets se multiplicando em marcas com as quais tropeçamos de forma desleal. Antes era só um joguinho de loteria ali, um sonho que virava jogo do bicho em outra esquina. Reparem: muita gente do seu lado agora vidrada no celular está jogando, e não é mais só com os inocentes e coloridos passatempos.

A fé pode ser pública, aquela que precisamos muitas vezes pagar para alguém atestar em nossos documentos e eles valerem algo oficialmente. Tem a profissão de fé. E a boa-fé que usamos em nossos atos; e claro, o contrário, a má-fé da qual em geral somos vítimas.

Cada um tem a sua, a grande beleza desse sentimento que só se torna ruim quando tentam nos impor. A fé traz em si detalhes pessoais exclusivos, alguns até bem extraordinários, malucos.

Melhor de tudo, a fé funciona. Nos mantêm vivos, com esperança. Como companheira de momentos que só nós sabemos porque a ela apelamos. Pode dar certo, ou não, como descreveu Gilberto Gil, ela não “costuma faiá”. Mas, se acaso falhar, não acaba, a gente sempre vai dar um jeito.

Aliás, qual é a sua? Já pensou nisso? Eu tenho muitas formas de expressar. Uma delas escrever para você pensar.

MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de comunicação, com passagem por principais veículos do país, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. [email protected] / [email protected]