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Proálcool e os 50 anos de uma política pública que antecipou o futuro da energia no Brasil
Em 2025, o Brasil completou 50 anos do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), uma das políticas públicas mais emblemáticas da nossa história recente. Criado em 1975, em meio à crise internacional do petróleo, o programa nasceu como resposta a um desafio imediato. Meio século depois, seu legado ultrapassa em muito a conjuntura que o originou e se consolida como um dos pilares da matriz energética brasileira.
O Proálcool foi mais do que um programa de substituição de combustíveis fósseis. Ele representou uma visão estratégica de longo prazo, ao apostar na capacidade do Brasil de transformar sua vocação agrícola em solução energética, industrial e tecnológica. Ao incentivar a produção e o uso do etanol, o país construiu uma cadeia produtiva robusta, inovadora e integrada, que envolve o campo, a indústria, a engenharia nacional e o desenvolvimento tecnológico.
Cinco décadas depois, os resultados são concretos. O etanol se consolidou como alternativa limpa, renovável e economicamente viável, contribuindo de forma decisiva para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. O modelo brasileiro de biocombustíveis tornou-se referência internacional e segue despertando interesse de países que buscam acelerar suas agendas de descarbonização sem abrir mão da segurança energética.
Mas o aniversário de 50 anos do Proálcool não deve ser apenas comemorativo. Ele convida a um balanço crítico e, sobretudo, prospectivo.
O mundo vive hoje uma transição energética complexa, marcada por tensões geopolíticas, desafios tecnológicos e pela necessidade de conciliar sustentabilidade ambiental, competitividade econômica e inclusão social. Nesse contexto, a experiência brasileira mostra que não existem soluções únicas ou importadas prontas, e sim caminhos construídos com planejamento, política industrial e visão de futuro.
O setor sucroenergético, impulsionado pelo Proálcool, soube se reinventar ao longo do tempo. Hoje, vai além do etanol combustível e incorpora a cogeração de energia elétrica, o desenvolvimento do etanol de segunda geração, o uso de biomassa e a integração com novas tecnologias industriais.
Ao olhar para frente, o principal ensinamento dos 50 anos do Proálcool talvez seja que a transição energética não se faz apenas com discursos, mas com política pública consistente, base industrial forte e investimento contínuo em inovação. O Brasil já demonstrou que é capaz de liderar quando aposta em suas próprias competências e constrói soluções adaptadas à sua realidade.
Celebrar o Proálcool é, portanto, reconhecer que o país saiu na frente em um debate que hoje domina a agenda global. Mais do que isso, é lembrar que o futuro da energia passa, necessariamente, pela valorização de modelos sustentáveis, integrados e sólidos. Exatamente como aquele iniciado há 50 anos.
*J.A.Puppio é engenheiro, empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”
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