Alagoas

Mestra Edleusa é a nova integrante do Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas

Reconhecimento foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (25)

25/09/2026
Mestra Edleusa é a nova integrante do Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas

A Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult) divulgou, no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (25), o resultado final do Edital nº 04/2026 para inscrição no Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas. A seleção contemplou a mestra Edleusa dos Santos Silva, de Maceió, reconhecida por sua trajetória de mais de quatro décadas à frente do Grupo da Mocidade e da Boneca Vitalina, no bairro de Guaxuma, na capital.

Ao todo, 26 pessoas se inscreveram no edital, que previa a seleção de um novo mestre ou mestra para integrar o Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas.

Aos 74 anos, a Mestra Edleusa construiu sua trajetória na cultura popular a partir da continuidade de uma tradição familiar. Filha do Mestre Benedito, fundador do Grupo da Mocidade, ela recebeu do pai a responsabilidade de manter viva uma tradição que atravessa gerações e que tem a comunidade de Guaxuma como um de seus principais espaços de atuação.

O Grupo da Mocidade foi criado em 1945 e reúne diferentes manifestações da cultura popular, entre elas o coco, o pastoril, as baianas e o bloco carnavalesco. Dentro dessa história está também a Boneca Vitalina, uma das expressões mais conhecidas do grupo, que em 2026 completou 70 anos de existência.

“Comigo esse grupo já está há uns quarenta e poucos anos, pois eu trabalhei com esse grupo na Escola Floriano Peixoto por mais de 25 anos, quando ensaiávamos pastoril, baianas, ciranda de trupé e o coco de roda, além dos ensaios que fazemos aqui na minha comunidade, em Guaxuma”, explicou a mestra.

Ao longo de sua trajetória, a mestra também levou essas manifestações para além dos espaços tradicionais de apresentação. Ensaios, cortejos, oficinas e apresentações aproximam crianças, jovens, adultos e idosos das expressões culturais mantidas pelo grupo, criando espaços de convivência e transmissão de saberes.

A Boneca Vitalina ocupa um lugar especial nessa história. Mantida pela família da Mestra Edleusa ao longo de décadas, a boneca se tornou um símbolo do Carnaval popular de Guaxuma e despertou a curiosidade de pessoas de outras partes do país.

“Não tenho nenhum tipo de patrocínio. Mas, apesar da dificuldade financeira, não deixo Vitalina sem brincar o Carnaval”, relatou a mestra.

Segundo Edleusa, a tradição da boneca também já ultrapassou os limites de Alagoas. “Teve um ano em que uma moça de São Paulo veio procurar o meu pai para comprar a Vitalina. Meu pai resolveu vender, mas garantiu que faria outra. Lembro que fomos levá-la ao aeroporto dentro de um caminhão”, contou Edleusa.

Em outra ocasião, um morador da Garça Torta levou uma Boneca Vitalina para o Rio de Janeiro durante o Carnaval, para apresentá-la aos familiares.

O trabalho desenvolvido pela Mestra Edleusa também envolve a participação de diferentes gerações da comunidade. O grupo realiza ensaios e atividades que aproximam crianças, jovens, adultos e idosos das manifestações tradicionais.

“Foi uma herança passada de pai para filha, que hoje mantenho e amplio. Temos uma grande participação de pessoas de nossa família, mas também conseguimos sensibilizar e despertar o interesse de mais pessoas da comunidade, que vêm aos nossos ensaios e me procuram, desde crianças até idosos.”

Atualmente, o Grupo da Mocidade mantém atividades com pastoril, baianas e o bloco carnavalesco, além do coco. A atuação da Mestra Edleusa dá continuidade a uma tradição iniciada pelo pai e mantida por décadas em Guaxuma.

Com a seleção no Edital nº 04/2026, a Mestra Edleusa passa a integrar o Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas, reconhecimento destinado a mestres e mestras que mantêm e transmitem saberes, práticas e manifestações da cultura tradicional e popular alagoana.

A data da diplomação da nova integrante ainda será definida pela Secult e divulgada posteriormente.