Alagoas
TRE vê irregularidade e tira do ar pesquisa de Instituto Ranking, de Mato.Grosso, que favorecia casal JHC
Justiça aponta falhas na comprovação de informações necessárias à fiscalização da pesquisa
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL) determinou a suspensão da divulgação de uma nova pesquisa do Instituto Ranking de Pesquisa Ltda., instituto que, em seus levantamentos mais recentes sobre a eleição alagoana, vinha apresentando resultados favoráveis às candidaturas de JHC (PSDB), ao Governo, e Marina Cândia, a Marina JHC (PSDB), ao Senado.
A decisão liminar foi proferida pelo desembargador eleitoral Mauricio Cesar Breda Filho e atinge a pesquisa registrada sob o número AL-07176/2026, destinada a medir a disputa para governador e senador em Alagoas.
A suspensão ocorre justamente na reta final da eleição e lança um novo componente sobre a guerra das pesquisas no Estado.
Em levantamento divulgado no último dia 28 de agosto, também realizado pelo Instituto Ranking, JHC apareceu com 46,41% das intenções de voto, contra 33,88% de Renan Filho, uma diferença superior a 12 pontos percentuais.
Na corrida ao Senado, a mesma pesquisa colocou Marina JHC com 30,42%, numericamente à frente de Renan Calheiros, com 29,18%, embora ambos estivessem tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Arthur Lira aparecia na liderança, com 35,28%.
Não era a primeira vez que o Ranking mostrava cenário favorável a JHC. Em julho, levantamento do instituto havia colocado o tucano á frente de Renan Filho para o Governo de Alagoas e a pesquisa doi suspensa.
Justiça aponta problema em informações obrigatórias
A decisão desta sexta-feira não afirma que houve fraude ou manipulação dos resultados. O problema identificado, nesta fase preliminar do processo, está relacionado à complementação das informações obrigatórias da pesquisa no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle).
Entre os dados cuja regularidade está sendo examinada estão informações sobre a distribuição da amostra, municípios e bairros pesquisados, eleitores por setor censitário e elementos do plano amostral.
Segundo a decisão, a documentação existente até agora não permitiu comprovar que todas as informações exigidas pela legislação eleitoral foram apresentadas dentro do prazo regulamentar. A própria decisão registra que há arquivos apresentados pelo instituto, mas que ainda não estão suficientemente demonstradas a data e a hora de inserção nem a efetiva complementação de todos os dados exigidos.
Para o relator, essas informações são indispensáveis porque permitem que partidos, candidatos e demais interessados fiscalizem a metodologia empregada no levantamento.
O desembargador destacou ainda o risco de influência sobre o eleitorado na reta final da campanha caso continuem circulando dados cuja metodologia ainda não possa ser integralmente fiscalizada.
Na decisão, Breda considera que a divulgação de uma pesquisa nessas condições pode formar a convicção do eleitor a partir de informação ainda não plenamente fiscalizável, produzindo prejuízo de difícil reparação antes do julgamento definitivo.
Ranking terá de retirar pesquisa do ar
Com a liminar, o Instituto Ranking foi obrigado a cessar, em até 24 horas, qualquer divulgação dos resultados da pesquisa AL-07176/2026.
O instituto também deverá providenciar a retirada de publicações já veiculadas em sites, redes sociais e veículos de imprensa aos quais tenha fornecido os números. A proibição permanece válida até nova decisão da Justiça Eleitoral.
O TRE fixou multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 100 mil, em caso de descumprimento.
A Secretaria Judiciária do Tribunal também recebeu determinação para, em 48 horas, complementar a certificação do histórico do registro da pesquisa, informando com precisão a data e o horário em que cada arquivo foi incluído no sistema e verificando se os dados exigidos pela legislação efetivamente constam no PesqEle.
Depois da apresentação da defesa e da manifestação do Ministério Público Eleitoral, o caso será submetido ao julgamento de mérito.
A suspensão chama atenção principalmente porque ocorre poucos dias depois de levantamentos do mesmo instituto apresentarem JHC com uma das maiores vantagens sobre Renan Filho encontradas entre as pesquisas recentes e colocarem Marina JHC em posição altamente competitiva para o Senado.l destoando de outros institutos.
Agora, pelo menos em relação à pesquisa AL-07176/2026, os números não poderão ser divulgados até que a Justiça Eleitoral decida se foram atendidas todas as exigências necessárias para garantir a fiscalização e a transparência do levantamento.
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