Alagoas
Funcionários da Caixa aprovam greve por tempo indeterminado em Alagoas a partir do dia 10
Proposta do banco foi rejeitada por 95,56% dos trabalhadores; categoria aponta insatisfação principalmente com regras e reajustes do Saúde Caixa
Os funcionários da Caixa Econômica Federal em Alagoas decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima quinta-feira (10). A paralisação foi aprovada durante assembleia virtual realizada entre as 19h do dia 3 e as 19h do dia 4 de setembro, dentro da Campanha Nacional 2026.
A proposta apresentada pela instituição foi rejeitada de forma expressiva. Dos trabalhadores que participaram da votação, 95,56% foram contrários ao acordo, enquanto 4,04% votaram pela aprovação e 0,40% optaram pela abstenção.
Na votação que definiu o encaminhamento da categoria, 76,18% aprovaram a deflagração da greve. Outros 21% defenderam a continuidade das negociações e 2,83% se abstiveram.
Em Alagoas, a Caixa conta atualmente com 58 agências e aproximadamente 1.036 funcionários. Com a paralisação, os trabalhadores deverão interromper as atividades a partir do dia 10, observando os procedimentos estabelecidos pela legislação que regulamenta o direito de greve.
Saúde Caixa é principal motivo de insatisfação
De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas, Thyago Miranda, o resultado da assembleia está diretamente relacionado às reivindicações específicas dos empregados da Caixa, principalmente às questões envolvendo o plano de assistência médica Saúde Caixa.
Entre as demandas apresentadas pela categoria estão o fim do limite de 6,5% para a participação da Caixa no custeio do plano e a garantia de permanência no Saúde Caixa após a aposentadoria para empregados que ingressaram na instituição a partir de 2018.
Os trabalhadores também contestam a cobrança de um valor relacionado ao 13º salário no plano de saúde e criticam o modelo de reajuste apresentado pela instituição.
Segundo Thyago Miranda, embora a categoria também esteja negociando questões gerais da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), como reajustes salariais, benefícios e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o principal foco de insatisfação na Caixa está nas pautas específicas do banco.
O dirigente sindical afirmou que a proposta apresentada pela instituição não foi considerada suficiente pelos trabalhadores e que o modelo de reajuste gradual do Saúde Caixa teria provocado forte reação entre os empregados.
Sindicato orienta clientes a antecipar atendimento
Diante da possibilidade de paralisação das atividades presenciais, o Sindicato dos Bancários de Alagoas orienta os clientes que dependem das agências a anteciparem serviços que necessitem de atendimento direto.
A entidade informou que pretende cumprir as determinações previstas na Lei nº 7.783/1989, que regulamenta o direito de greve e estabelece regras para a manutenção de serviços considerados essenciais.
Entre os atendimentos que podem ser afetados estão o desbloqueio de cartões, pagamentos e outras operações que não possam ser realizadas pelos canais digitais ou que exijam a presença do cliente em uma agência.
Decisões foram diferentes em outros bancos
A assembleia dos bancários em Alagoas também avaliou propostas negociadas com outras instituições financeiras. Entre os bancos privados representados pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), 69,81% dos trabalhadores votaram pela aprovação da proposta. Outros 28,30% foram contrários e 1,89% se abstiveram.
No Banco do Nordeste, o acordo foi aprovado por 76,56% dos participantes, enquanto 22,40% rejeitaram a proposta e 1,04% se abstiveram. No Banco de Brasília (BRB), a aprovação chegou a 100%.
Já no Banco do Brasil, a proposta foi rejeitada por 61,10% dos trabalhadores. Na votação que definiu os próximos passos, 47,69% optaram pela reabertura das negociações com a instituição, enquanto 42,86% defenderam a greve e 9,45% se abstiveram.
Com o resultado, a estratégia no Banco do Brasil será buscar uma nova rodada de negociação com a direção. Caso a resposta do banco não atenda às reivindicações, uma nova assembleia poderá ser convocada para decidir os próximos passos, incluindo a possibilidade de paralisação.
A pauta geral dos bancários envolve reivindicações previstas na Convenção Coletiva de Trabalho, como reajuste salarial, valores dos auxílios-alimentação e refeição, piso de ingresso e Participação nos Lucros e Resultados. No caso da Caixa, entretanto, as questões relacionadas ao Saúde Caixa permanecem como o principal ponto de conflito entre trabalhadores e instituição.
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