Alagoas

Polícia Civil desarticula quatro fazendas de mineração ilegal de criptomoedas em Porto Real do Colégio

Ação conjunta apreende equipamentos e revela furto de energia elétrica e uso irregular de água para manter operações clandestinas.

12/01/2026
Polícia Civil desarticula quatro fazendas de mineração ilegal de criptomoedas em Porto Real do Colégio
Polícia Civil apreende equipamentos em fazendas de mineração ilegal de criptomoedas em Porto Real do Colégio. - Foto: Ascom PCAL

Laura Gomes / Ascom PCAL

A Polícia Civil de Alagoas desarticulou, na sexta-feira (9), quatro fazendas de mineração ilegal de criptomoedas localizadas na zona rural de Porto Real do Colégio, interior do estado.

A operação, coordenada pela Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol) e com apoio tático-operacional da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), resultou na apreensão de diversos equipamentos tecnológicos de alta performance utilizados na chamada “mineração de criptomoedas”. Essa atividade consiste na resolução de complexas equações matemáticas para obtenção de moedas digitais de alto valor comercial.

Segundo as investigações, as estruturas utilizavam furto de energia elétrica em larga escala, por meio de ligações diretas e ilegais à rede de distribuição, além do bombeamento irregular de água do Rio São Francisco para garantir o funcionamento ininterrupto das máquinas.

De acordo com o delegado Thales Araújo, diretor da Dinpol, a mineração de criptomoedas não é ilegal em si, mas as condições em que as fazendas operavam eram ilícitas. “As estruturas eram alimentadas por ligações clandestinas, os chamados ‘gatos’, em todos os locais descobertos”, explicou.

O delegado destacou ainda que o consumo ilegal de energia era tão elevado que provocava instabilidade e picos no fornecimento elétrico da região, causando queima de eletrodomésticos e prejuízos significativos à população local.

“Uma operação de mineração regularizada exige alto investimento em maquinário e elevados custos de manutenção. No caso em questão, estimamos que a estrutura desarticulada consumia cerca de 200 mil kWh, equivalente ao consumo de aproximadamente mil residências, gerando um prejuízo mensal estimado em R$ 155 mil em energia furtada, totalizando cerca de R$ 750 mil em cinco meses de operação ilegal”, detalhou o delegado.

Ele acrescentou que esse tipo de crime costuma estar associado a outros delitos, como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, que seguem sob investigação.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los criminalmente.