Violência e Lei
PM envolvido na morte do jovem Gabriel Lincoln é promovido mesmo afastado pela Justiça
Caso ocorreu em Palmeira dos Índios; investigação aponta que cena foi forjada para simular legítima defesa
A promoção de um policial militar envolvido na morte do adolescente Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, voltou a reacender a revolta da família e de amigos do jovem em Palmeira dos Índios. O caso, registrado no dia 3 de maio de 2025 durante uma abordagem policial, ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (4), após a divulgação de que um dos militares investigados foi promovido dentro da corporação, mesmo estando afastado por decisão judicial.
A informação consta no Boletim Geral Ostensivo nº 021/2026 da Polícia Militar de Alagoas, que confirma a ascensão funcional do policial Alex Melo à graduação de 1º sargento. A decisão provocou manifestações nas redes sociais por parte dos familiares de Gabriel, que classificaram a promoção como um sinal de impunidade e desrespeito à memória do adolescente.
“A dor ainda está viva. O luto é diário. Mesmo após a morte de Gabriel, com apenas 16 anos, a Polícia Militar decidiu promover um dos policiais envolvidos”, publicou a família, em tom de indignação. Os parentes reforçam o pedido por justiça e cobram uma resposta efetiva das instituições responsáveis.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, com apoio da Polícia Científica, a abordagem que resultou na morte do jovem foi seguida de uma tentativa de forjar a cena do crime. O inquérito concluiu que Gabriel foi atingido por um disparo nas costas e não portava arma no momento da ação policial. Ainda assim, um revólver calibre 38 teria sido colocado junto ao corpo para sustentar a versão de legítima defesa.
Exames periciais, incluindo análises avançadas de DNA, descartaram qualquer vínculo do adolescente com a arma apresentada. O material genético encontrado no revólver não pertencia a Gabriel, e a perícia balística não identificou sinais de uso recente pelo jovem. Para a investigação, três policiais militares atuaram diretamente na tentativa de manipulação do cenário.
Por outro lado, defensores da promoção alegam que, enquanto não houver trânsito em julgado, não há condenação formal e que o episódio deve ser tratado como um incidente ocorrido durante o serviço. A família, no entanto, reforça que a promoção de um investigado em um caso com indícios de execução e fraude processual agrava ainda mais a dor e a sensação de injustiça.
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