Vida Esportiva

CBG diz não temer calote do DF e confirma Brasileiro de Ginástica em agosto

Governo do Distrito Federal não pagou cerca de R$ 17,5 milhões à CBV por eventos de vôlei realizados em Brasília

Agência O Globo - 23/06/2026
CBG diz não temer calote do DF e confirma Brasileiro de Ginástica em agosto
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Ricardo Resende, o Cacá, diretor-geral da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), afirmou ao GLOBO que não teme um calote do Governo do Distrito Federal , parceiro da entidade na realização do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, previsto para agosto, em Brasília.

A declaração ocorre após o governo local não pagar cerca de R$ 17,5 milhões à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) pela realização de jogos da Liga Mundial feminina e masculina, neste mês, e de uma etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, em abril, também na capital federal.

Segundo Resende, o Brasileiro será financiado pelo Governo do Distrito Federal, por meio de convênio com a Federação Brasiliense de Ginástica, além de patrocinadores da CBG. Ele afirma que o aporte do DF é de cerca de R$ 4,5 milhões e que o convênio “já foi aprovado, inclusive publicado em Diário Oficial”. O dirigente disse ainda que o secretário de Esporte e Lazer do Distrito Federal, Renato Junqueira, garantiu o repasse.

— Está tudo sob controle — assegura Resende. — Este é o principal evento do calendário da ginástica brasileira, marcará o retorno de Rebeca Andrade às competições nacionais e está tudo certo para ser uma grande festa em Brasília. Até porque o secretário de Esporte e Lazer do Distrito Federal, Renato Junqueira, esteve neste fim de semana no Pan-Americano de Ginástica e reafirmou que o Distrito Federal vai cumprir seus compromissos.

Resende afirma que não está preocupado “porque a ginástica vai fazer grandes eventos lá”, independentemente do apoio do governo.

— Caso isso aconteça, temos como arcar com esta parte. Temos patrocinadores e planejamento orçamentário que garantem a realização do calendário nacional — disse.

O diretor informou que a CBG ainda não recebeu o valor do Governo do Distrito Federal. No entanto, segundo ele, nos anos anteriores, o pagamento de patrocínios para competições nacionais — como eventos de ginástica artística adulto e infantil, parkour, ginástica acrobática e Troféu Brasil, além dos Sul-Americanos de parkour e de ginástica acrobática — ocorrerá nas próximas datas das disputas.

— Não está previsto receber agora, e sim próximo ao evento. Esse já é o terceiro ano em que realizamos eventos no Distrito Federal e, ao longo desse período, o governo tem cumprido todos os compromissos reforçados com a CBG. Acredito que os compromissos serão cumpridos novamente — afirmou.

Resende desconversou sobre o caso envolvendo a CBV.

— Não me cabe falar da Confederação Brasileira de Vôlei porque não sei das tratativas. Tomei conhecimento sobre o assunto, mas nossa relação com o DF se baseia em diálogo e compromisso. Acredito que o governo do DF vai cumprir os compromissos reforçados. Até porque partiu deles o interesse de promover a competição — completou.

Logo após a etapa de Brasília da Liga Mundial, a CBV informou que havia sido alvo de um calote do Governo do Distrito Federal de cerca de R$ 17,5 milhões. Em nota, a entidade afirmou que a maior parte dos valores, cerca de R$ 11 milhões, refere-se à organização da etapa de Brasília da Liga das Nações.

A CBV alegou que o ofício que prevê a liberação dos recursos para a realização do evento foi assinado em outubro de 2025, ainda na gestão de Ibaneis Rocha (MDB). No entanto, outro ofício, de 11 de maio deste ano, 23 dias antes do início dos jogos, informou que não seria possível honrar o compromisso. A comunicação foi feita pela nova gestão, comandada por Celina Leão (PP).

“Recebemos a comunicação quando toda a operação da competição internacional já se realizou agora, incluindo contratos já celebrados e outros em fase final de formalização, obrigações assumidas perante fornecedores nacionais e internacionais, compromissos firmados junto à Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e com a Volley World (VW), planejamento logístico consolidado, comercialização de ingressos, reservas de hospedagem, aquisição de passagens aéreas por torcedores e delegações, além de toda a mobilização turística, esportiva e institucional vinculada ao evento”, afirmou a CBV.

Diante da impossibilidade de receber os recursos, a CBV assumiu os custos da realização do evento para evitar avaliações esportivas ao Brasil. Segundo a entidade, em um cenário extremo, as punições poderiam até comprometer a participação brasileira nos Jogos Olímpicos de 2028.

Em nota divulgada à época, a Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal afirmou que, “na razão das medidas de contingenciamento impostas pelo Governo do Distrito Federal, que determinaram a revisão de despesas em toda a administração pública, não foi possível formalizar o instrumento jurídico necessário para a transferência de recursos”.

A secretaria acrescentou que “a CBV foi oficialmente comunicada, antes da realização do evento, sobre a impossibilidade de celebrar o termo de fomento, tendo ciência de que não haveria formalização da parceria nem autorização legal para o repasse dos recursos públicos”.