Vida Esportiva
Após pódios no Pan-Americano, Rebeca mira retorno à trave antes do Mundial
Técnico da seleção brasileira avalia se ginasta disputará o Brasileiro antes do torneio na Holanda
O retorno de Rebeca Andrade às competições internacionais começou em alto nível. Maior medalhista olímpica do Brasil, a ginasta voltou ao cenário internacional com prata por equipes e ouro no salto no Pan-Americano de Ginástica, encerrado neste domingo, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro.
Depois de mais de um ano e meio afastado das competições, em período sabático, Rebeca competiu apenas no salto. Agora, a preparação deve ganhar uma nova etapa: a adaptação dos treinos para a viagem, aparelho que pode marcar seu próximo passo rumo ao Campeonato Mundial, previsto para outubro, na Holanda.
Segundo Francisco Porath, o Chico, técnico da seleção brasileira feminina de artes artísticas, a comissão técnica ainda vai avaliar de que forma Rebeca poderá contribuir para a equipe no Mundial. A tendência é que ela não dispute apenas um aparelho, como ocorreu no Pan-Americano.
Chico explicou que Rebeca passará a treinar a trave com foco competitivo, mas a decisão sobre sua apresentação no aparelho será tomada mais adiante. Assim como no Pan, a comissão analisará as possibilidades de classificação das atletas para definir a melhor composição da equipe.
O treinador também afirmou que Rebeca não deverá competir nas paralelas neste ano. O aparelho deverá voltar ao planejamento competitivo apenas em 2027.
— Neste ano não temos pretensão de fazer paralelamente, estamos tentando reestruturar a série dela. Então, o próximo aparelho será uma viagem. Paralelamente ao Mundial? Só se for o Mundial de 2027 — respondeu Chico ao jornal O Globo, ao comentar o aparelho favorito de Rebeca. — Essa é uma conversa que a gente vai ter. Ela está começando a subir nos aparelhos, está fazendo paralelamente, os básicos, retornando. Não quisemos avançar nada para que não comprometesse o desenvolvimento do salto para o Pan.
De acordo com o técnico, a ideia é contar com Rebeca no Mundial. Antes disso, a comissão ainda estudará a possibilidade de uma ginasta disputar o Campeonato Brasileiro, marcada para o período de 5 a 9 de agosto, em Brasília.
— O primeiro passo foi dado, né? A gente tem mais seis, sete semanas para o Campeonato Brasileiro. Vamos avaliar se ela compete no Brasileiro. Teremos algumas semanas para prepará-la, confiamos em seu talento — declarou Chico, referindo-se ao retorno do atleta no salto.
O treinador reforçou ainda que, para qualquer novo aparelho, haja um planejamento específico de treinos. Para ele, um dos principais desafios do Pan-Americano foi conciliar a volta de Rebeca com a formação da equipe para as finais, além de dar experiência às ginastas mais jovens.
— O desafio inicial foi o retorno de Rebeca. Eu acho que a seleção sem a Rebeca já veio nessa evolução de construir uma equipe, os melhores somatórios, que contribuem melhor em cada aparelho. E com a Rebeca falando, a gente teve que relatar algumas peças. Então, a seleção está se moldando também. A gente não pode acreditar que vai se repetir sempre os mesmos resultados com as mesmas meninas, porque o tempo vai passando. A Rebeca hoje não faz mais solo. Ela está se preparando para outros aparelhos e a responsabilidade vai passando para essas meninas.
Rebeca celebrou o retorno e definiu a sensação de “maravilhosa”. Feliz e orgulhosa, a ginasta destacou que a volta às competições foi construída com confiança, paciência e trabalho coletivo.
O atleta contou que sentiu “aquele friozinho na barriga”, mas afirmou que se sentiu bem desde quarta-feira, primeiro dia de competição. Para ela, a confiança mútua com a comissão técnica foi um dos pilares do retorno ao alto rendimento.
— Eu gosto muito dessa relação que tenho com o Chico. A gente se respeita muito, ele entende muito o meu momento e as fases do meu corpo, né? Ele não ultrapassa meus limites. E isso para mim é muito bom. Acho que por isso consegui entregar esses saltos. Digo que o maior trabalho é confiança. Essa volta foi uma volta muito trabalhada, difícil, mas gratificante. Foi um trabalho coletivo.
Questionada sobre o que diria à Rebeca de 2016, quando estreou nos Jogos Olímpicos no mesmo local, na Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, a ginasta respondeu que manteria sua trajetória.
— Diria: “continua, vai dar tudo certo”. Acho que eu não faria nada de diferente, não mudaria os meus períodos mais difíceis que foram com as minhas lesões, muito menos os meus momentos de alegria. Acho que cada um deles foi me preparar para ter maturidade e hoje poder escolher mais uma vez representar meu país — declarou Rebeca.
A ginasta também lembrou a decisão de fazer uma pausa após a temporada de 2024.
— A Rebeca de 2024 foi muito grata, tive um ano incrível. Não tenho essa reclamação, foi maravilhoso, mas também estava pensando nesse descanso que é importante. Acho que foi a melhor decisão que tomei na minha vida no esporte. E poder voltar, vivenciar isso aqui com meninas novas, foi muito gostoso, muito gratificante poder voltar dessa forma.
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