Vida Esportiva

Após pódios no Pan-Americano, Rebeca Andrade mira retorno à trave de olho no Mundial

Técnico da seleção brasileira avaliará participação da ginasta no Campeonato Brasileiro antes da disputa na Holanda

Agência O Globo - 22/06/2026
Após pódios no Pan-Americano, Rebeca Andrade mira retorno à trave de olho no Mundial
Rebeca Andrade - Foto: Reprodução / Instagram

Este é apenas o (re)começo. Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil, voltou às competições internacionais em grande estilo, com pódio por equipes, na prata, e individual, com ouro no salto, no Pan-Americano de Ginástica, encerrado neste domingo, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Após mais de um ano e meio afastado das competições, em período sabático, a ginasta já projetou os próximos passos: ela deve adaptar novamente a rotina de treinos para voltar a se apresentar na trave, aparelho que pode integrar seu programa rumo ao Campeonato Mundial, na Holanda, em outubro.

Segundo Francisco Porath, o Chico, técnico da seleção brasileira feminina de artes artísticas, a comissão técnica ainda estudará qual será a melhor contribuição de Rebeca para a equipe no Mundial. A tendência é que ela não dispute apenas um aparelho, como ocorreu no Pan-Americano.

Chico explicou que Rebeca passará a treinar com foco competitivo, mas que a definição sobre sua participação nesse aparelho será tomada mais adiante. Assim como no Pan, a comissão analisará as possibilidades de classificação das atletas da seleção para encontrar a melhor formação.

O treinador afirmou ainda que Rebeca não competirá nas paralelas neste ano. Segundo ele, o aparelho deve entrar no foco competitivo apenas em 2027.

— Neste ano não temos pretensão de fazer paralelamente, estamos tentando reestruturar a série dela. Então, o próximo aparelho será uma viagem. Paralelamente ao Mundial? Só se for o Mundial de 2027 — respondeu Chico ao GLOBO, sobre o aparelho favorito de Rebeca. — Essa é uma conversa que a gente vai ter. Ela está começando a subir nos aparelhos, está fazendo paralelamente, os básicos, retornando. Não quisemos avançar nada para que não comprometesse o desenvolvimento do salto para o Pan.

Chico disse que a ideia é contar com Rebeca no Mundial, mas ainda avaliará a possibilidade de uma ginasta competir também no Campeonato Brasileiro, marcado para o período de 5 a 9 de agosto, em Brasília.

— O primeiro passo foi dado, né? A gente tem mais seis, sete semanas para o Campeonato Brasileiro. Vamos avaliar se ela compete no Brasileiro. Teremos algumas semanas para prepará-la, confiamos em seu talento — declarou o treinador, referindo-se ao retorno do atleta no salto.

Ele lembrou ainda que, para qualquer novo aparelho, será necessário um planejamento específico de treinos para a ginasta.

Para Chico, um dos desafios deste Pan-Americano foi conciliar a volta de Rebeca com a estratégia da equipe para alcançar as finais. O treinador destacou que o torneio também serviu para dar experiência aos atletas mais jovens, que ainda buscam maior consistência.

— O desafio inicial foi o retorno de Rebeca. Eu acho que a seleção sem a Rebeca já veio nessa evolução de construir uma equipe, os melhores somatórios, que contribuem melhor em cada aparelho. E com a Rebeca falando, a gente teve que relatar algumas peças. Então, a seleção está se moldando também. A gente não pode acreditar que vão se repetir sempre os mesmos resultados com as mesmas meninas, porque o tempo vai passando. A Rebeca hoje não faz mais solo. Ela está se preparando para outros aparelhos e a responsabilidade vai passando para essas meninas.

Rebeca comemorou o retorno às competições e afirmou que a sensação era “maravilhosa”. Feliz e orgulhosa, ela disse que a volta ao alto rendimento foi construída com confiança, paciência e trabalho coletivo.

A ginasta contou que sentiu “aquele friozinho na barriga”, mas afirmou que se sentiu bem desde quarta-feira, no primeiro dia de competição. Para ela, a confiança mútua com a comissão técnica foi um dos pilares do retorno.

— Eu gosto muito dessa relação que tenho com o Chico. A gente se respeita muito, ele entende muito o meu momento e as fases do meu corpo, né? Ele não ultrapassa meus limites. E isso para mim é muito bom. Acho que por isso consegui entregar esses saltos. Digo que o maior trabalho é confiança. Essa volta foi uma volta muito trabalhada, difícil, mas gratificante. Foi um trabalho coletivo.

Questionada sobre o que diria à Rebeca de 2016, quando estreou nos Jogos Olímpicos no mesmo local, na Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, ela respondeu:

— Diria: “continua, vai dar tudo certo”. Acho que eu não faria nada de diferente, não mudaria os meus períodos mais difíceis que foram com as minhas lesões, muito menos os meus momentos de alegria. Acho que cada um deles foi me preparar para ter maturidade e hoje poder escolher mais uma vez representar meu país — declarou Rebeca, ao registrar também o momento de 2024, quando optou pelo período sabático. — A Rebeca de 2024 foi muito grata, tive um ano incrível. Não tenho essa reclamação, foi maravilhoso, mas também estava pensando nesse descanso que é importante. Acho que foi a melhor decisão que tomei na minha vida no esporte. E poder voltar, vivenciar isso aqui com meninas novas, foi muito gostoso, muito gratificante poder voltar dessa forma.