Vida Esportiva

Futebol brasileiro avança na proteção à maternidade seguindo exemplos internacionais

Em vigor nesta temporada, nova regra da CBF amplia segurança para atletas que desejam ser mães

Agência O Globo - 09/05/2026
Futebol brasileiro avança na proteção à maternidade seguindo exemplos internacionais
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A busca por avanços no futebol feminino vai além das condições de jogo e infraestrutura adequada. Trata-se também de garantir segurança profissional e a possibilidade de uma vida plena fora dos gramados. Para muitas atletas, a maternidade é um sonho; para outras, um caminho natural. Até pouco tempo, escolher engravidar significava, na prática, abrir mão da carreira ou parte dela. Com as regras estabelecidas pela Fifa e, mais recentemente, pela CBF, tornou-se possível conciliar maternidade e carreira esportiva.

Desde 2024, está em vigor a regra internacional que garante 14 semanas de licença-maternidade para jogadoras com filhos biológicos ou adotivos, assegurando ao menos dois terços do salário, além do pagamento integral até o início da licença. Essa medida abriu espaço para ampliar o debate e buscar novas formas de tornar o futebol mais acolhedor para mães e futuras mães. No Brasil, o movimento foi acompanhado em 2025, com a determinação de que, a partir de 2026, a logística de viagens oficiais será custeada para que atletas em fase de amamentação possam levar seus filhos.

O pioneirismo já vinha sendo consolidado nos Estados Unidos, com destaque para Alex Morgan, estrela da seleção norte-americana, que teve sua primeira filha em 2020, quando ainda não havia qualquer apoio formal da liga nacional (NWSL) ou do clube. A partir de 2022, graças a um acordo entre atletas, franquias e a NWSL, as jogadoras passaram a contar com licença-maternidade remunerada também em casos de adoção. No mesmo período, a liga inglesa (WSL), atualmente referência mundial, adotou medida semelhante.

No Brasil, os casos de Tamires, lateral da seleção e do Corinthians, e de Ketlen Wiggers, do Santos, ilustram a evolução. Tamires teve seu filho em 2009 e precisou ficar três anos afastada dos gramados. Já Ketlen fez história em 2023 ao ser a primeira jogadora a atuar até os oito meses de gestação e retornar ao campo após o parto.