Vida Esportiva
Preso pela PF, Daniel Vorcaro detém 20% da SAF do Atlético-MG e integra Conselho de Administração
Banqueiro está atrás apenas da família Menin na estrutura societária do Galo, após investir cerca de R$ 300 milhões; origem dos recursos é investigada por possível ligação com o PCC
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta terça-feira (18) pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento na emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional. Vorcaro é um dos principais acionistas da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG.
Entre 2023 e 2024, ele adquiriu 20,2% das ações da SAF do clube, investindo aproximadamente R$ 300 milhões por meio do Galo Forte FIP, fundo de investimento criado para a aquisição da participação na Galo Holding S.A. Sua fatia só é inferior à da família Menin, que detém 41,8% (Rubens e Rafael Menin), e à do clube associativo (25%).
Com o aporte milionário, Vorcaro passou a integrar também o Conselho de Administração do Atlético-MG.
A origem dos recursos aplicados por Vorcaro é alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo, que apura suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) em desdobramento da Operação Carbono Oculto. A operação investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionados à organização criminosa.
É importante ressaltar que a SAF do Atlético-MG não está sendo investigada pela Polícia Federal.
Em nota divulgada em 17 de outubro, a assessoria do Atlético-MG afirmou não ter conhecimento de qualquer irregularidade:
“O Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia é um veículo de investimento devidamente constituído e regular perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”), sob administração da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA. A Trustee é uma empresa igualmente registrada perante a CVM. Referido fundo figura como acionista da Galo Holding S.A., contexto no qual o Atlético não tem conhecimento de quaisquer irregularidades.”
Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que o Galo Forte FIP faz parte de uma cadeia de investimentos estruturada no modelo “fundo sobre fundo”.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, os recursos aplicados teriam origem em fluxo financeiro iniciado nos fundos Olaf 95 e Hans 95, administrados pela Reag Investimentos — alvo de buscas da Polícia Federal e investigados por possível participação em esquemas de ocultação financeira ligados à Operação Carbono Oculto. O modelo “fundo sobre fundo” é frequentemente associado a práticas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Como revelou inicialmente a coluna de Lauro Jardim, a prisão de Vorcaro foi determinada pela Justiça Federal de Brasília e ocorreu poucas horas após o anúncio da venda do Banco Master ao grupo Fictor Holding Financeira — operação suspensa após o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial da instituição. A ação da PF foi batizada de Compliance Zero e apura a emissão de títulos de crédito falsos, cumprindo mandados de prisão nesta semana.
Mais lidas
-
1ANÁLISE MILITAR
Caça russo Su-35S é considerado superior ao F-16 e F-22 por especialista
-
2CULTURA
Marcello Novaes participa de show da banda dos filhos Diogo e Pedro
-
3POLÍTICA PÚBLICA
Alagoas é o primeiro estado a aderir à Conferência Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura
-
4POLÍTICA E ECONOMIA
Lindbergh critica postura de Galípolo e aponta corporativismo no caso Banco Master
-
5FUTEBOL
Náutico vence a Ponte Preta e fica na parte de cima da tabela da Série B do Brasileirão