Vida e Saúde

OMS: cobertura vacinal global melhora pouco em 2025 e continua abaixo dos níveis pré-pandemia

Nas Américas, porém, percentual superou o registrado antes da crise sanitária do coronavírus

Agência O Globo - 15/07/2026

A cobertura vacinal a nível global melhorou pouco em 2025 e continuou abaixo dos níveis observados em 2019, antes da pandemia de Covid-19, mostram novos dados divulgados nesta terça-feira à noite pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Nas Américas, porém, o percentual superou o registrado antes da crise sanitária do coronavírus.

O indicador utilizado pelas autoridades é a cobertura com a tríplice bacteriana (DTP), que previne difteria, tétano e coqueluche. O esquema envolve três doses, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade. No ano passado, 90% dos bebês do mundo receberam a primeira dose, equivalente a 116 milhões de indivíduos.

O percentual melhorou em relação aos três anos anteriores, em que se manteve em 89%. Antes, nos dois anos mais críticos da pandemia, 2020 e 2021, a cobertura chegou a cair para 88% e 86%, respectivamente. No entanto, permanece abaixo dos 91% alcançados em 2019 e semelhante aos níveis registrados em 2009, mais de uma década atrás.

O mesmo é observado para a cobertura com o esquema vacinal completo. O percentual de crianças com as três doses chegou a 85% em 2025, o equivalente a 110 milhões de bebês, também uma melhora em relação aos últimos cinco anos anteriores, quando o percentual variou de 81% a 84%, mas ainda abaixo dos 86% registrados em 2019.

"Toda criança, nascida na riqueza ou na pobreza, em tempos de paz ou de conflito, merece a proteção que salva vidas oferecida pelas vacinas. A imunização é uma das intervenções mais custo-efetivas, equitativas e confiáveis para proteger a saúde e o bem-estar das crianças. Nossa maior segurança começa garantindo que todas as pessoas, onde quer que vivam, estejam protegidas contra doenças fatais que as vacinas têm o poder de prevenir”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em nota.

As organizações estimam que 13,5 milhões de crianças sejam "zero dose", ou seja, não tenham recebido nenhuma dose da vacina durante o primeiro ano de vida em 2025. São quase 750 mil a menos em comparação ao ano anterior. No entanto, cresceu o número de bebês que iniciaram o esquema vacinal, mas não o completaram: 7,3 milhões.

Mais da metade de todas as crianças "zero dose" vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais concentrem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. Nesses contextos, os programas de imunização frequentemente enfrentam dificuldades devido à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico, alertam a OMS e o Unicef.

Os dados de 195 países mostram que 100 países mantiveram cobertura de pelo menos 90% com as três doses da vacina DTP desde 2019, com pouco avanço. Entre os países que estavam abaixo de 90% em 2019, 30 melhoraram suas taxas nos últimos seis anos, mas 65 permanecem estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países afetados por conflitos ou considerados vulneráveis.

Américas recuperam cobertura vacinal

Na região das Américas, no entanto, há uma recuperação da cobertura vacinal, que chegou a ultrapassar os níveis de 2019 – a única junto com o Sudeste Asiático a conseguir esse feito. No ano passado, 92% dos bebês receberam a primeira dose da DTP, e 86% receberam a segunda. Antes da Covid-19, os percentuais eram de 89% e 84%, respectivamente.

Os números mostram um cenário semelhante quando analisada a cobertura com outra vacina importante, a tríplice viral, que previne sarampo, rubéola e caxumba. O sarampo, uma das doenças mais contagiosas do mundo, foi eliminado de países como o Brasil, mas a baixa vacinação mantém o vírus circulando em muitos lugares do mundo, como na Europa, o que eleva o risco de reintrodução no território brasileiro, como ocorreu em 2018.

A proteção é composta por um esquema de duas doses, uma aos 12 meses de idade e outra aos 15 meses. A nível global, a cobertura com a primeira aplicação foi de 84% em 2025, enquanto em 2019 era de 86%. Com a segunda dose, porém, o cenário é diferente: 77% completaram o esquema no ano passado, percentual que era inferior, de 71%, antes da pandemia.

Ambos os índices, porém, permanecem muito abaixo do patamar de 95% necessário para prevenir surtos do vírus, alertam as autoridades. Como consequência, 57 países registraram surtos grandes ou de grande impacto de sarampo em 2025.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a queda significativa durante a pandemia de Covid-19. Mas milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza. Precisamos alcançar todas as crianças e reconstruir a confiança onde ela está sendo abalada. Nenhuma criança deveria sofrer de uma doença que uma vacina simples pode prevenir”, diz a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell.

Nas Américas, a cobertura com a primeira e a segunda dose no ano passado foi, respectivamente, de 88% e 78%, novamente acima do observado na média global. Em 2019, esses percentuais eram de 87% e 73%.

Outra boa notícia foi o avanço da cobertura vacinal contra o HPV, vírus causador de diversos tipos de câncer, como de colo de útero e de pênis. Globalmente, 33% das meninas, o equivalente a 22,5 milhões, receberam pelo menos uma dose do imunizante em 2025, à medida que 15 novos países implementaram programas de vacinação contra o vírus. O percentual era de 17% em 2019.

Na região das Américas, a cobertura é significativamente superior: subiu de 58% para 71% no mesmo período. No Brasil, a proteção faz parte do calendário da criança e do adolescente, indicada para todos os meninos e as meninas de 9 a 14 anos. Desde 2024, o Brasil adota o esquema de aplicação única para simplificar a imunização depois que estudos mostraram a eficácia da estratégia. Até 31 de dezembro, porém, jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados podem receber a proteção.