Vida e Saúde

Operadora do cruzeiro MV Hondius nega origem de surto de hantavírus na embarcação

Três mortes foram confirmadas; passageiros e tripulantes seguem monitorados após deixarem o navio

Agência O Globo - 19/05/2026
Operadora do cruzeiro MV Hondius nega origem de surto de hantavírus na embarcação
Profissionais de saúde com equipamentos de proteção chegam para evacuar pacientes do navio de cruzeiro MV Hondius em um porto em Praia, Cabo Verde, na quarta-feira, 6 de maio de 2026. - Foto: Foto AP/Misper Apawu.

A operadora do cruzeiro MV Hondius, envolvido em um surto de hantavírus que resultou em três mortes, afirmou que o vírus provavelmente foi introduzido antes do embarque dos passageiros e não se originou no navio. O MV Hondius, administrado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, ganhou destaque internacional após a confirmação dos óbitos causados por um vírus raro, para o qual não existem vacinas ou tratamentos específicos.

— Os indícios apontam firmemente que o vírus foi introduzido antes do embarque e não se originou na própria embarcação — declarou Rémi Bouysset, diretor-executivo da Oceanwide Expeditions.

Risco de pandemia é considerado baixo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou que não há risco de uma pandemia semelhante à da Covid-19 devido ao surto e enfatizou que o contágio do hantavírus é muito raro.

Tripulação permanece em quarentena

O navio atracou em Roterdã na segunda-feira (18). Os tripulantes remanescentes estão em quarentena a bordo, sob monitoramento de dois médicos. Conforme a Oceanwide Expeditions, todos permanecem assintomáticos.

Parte da tripulação já desembarcou: vinte tripulantes e dois membros da equipe médica do RIVM, instituto nacional de saúde holandês, foram encaminhados para uma instalação especializada em quarentena. Outros cinco tripulantes permanecem no navio e desembarcarão posteriormente, seguindo protocolos sanitários.

A Oceanwide Expeditions contratou o Grupo EWS, especializado em desinfecção de embarcações, para realizar uma limpeza completa do MV Hondius. O procedimento, que utilizará cloro e peróxido, deve durar de três a quatro dias, dependendo das inspeções das autoridades sanitárias. Segundo a companhia, o grupo responsável já atuou em navios durante a pandemia de Covid-19 e garantiu que, após a limpeza, a embarcação estará segura para retomar as operações.

Casos confirmados e origem do surto

Autoridades de saúde da Colúmbia Britânica, no Canadá, confirmaram no último domingo (17) o primeiro caso de hantavírus na América do Norte relacionado ao surto do cruzeiro. O paciente, um dos quatro canadenses que estavam em isolamento após desembarcarem no início do mês, testou positivo para a cepa Andes do vírus, conhecida por raros episódios de transmissão entre humanos.

Com esse novo caso, o número de infecções globais ligadas ao cruzeiro chega a 12, incluindo três mortes. Segundo autoridades internacionais, o surto teria começado após um casal holandês contrair o vírus durante observação de aves na Argentina. A cepa Andes do hantavírus é endêmica na Argentina, onde a viagem teve início em 1º de abril, e normalmente é transmitida pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes fechados. Esta cepa é a única variante do hantavírus capaz de ser transmitida entre pessoas.