Vida e Saúde
Operadora do cruzeiro MV Hondius nega origem de surto de hantavírus na embarcação
Três mortes foram confirmadas; passageiros e tripulantes seguem monitorados após deixarem o navio
A operadora do cruzeiro MV Hondius, envolvido em um surto de hantavírus que resultou em três mortes, afirmou que o vírus provavelmente foi introduzido antes do embarque dos passageiros e não se originou no navio. O MV Hondius, administrado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, ganhou destaque internacional após a confirmação dos óbitos causados por um vírus raro, para o qual não existem vacinas ou tratamentos específicos.
— Os indícios apontam firmemente que o vírus foi introduzido antes do embarque e não se originou na própria embarcação — declarou Rémi Bouysset, diretor-executivo da Oceanwide Expeditions.
Risco de pandemia é considerado baixo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou que não há risco de uma pandemia semelhante à da Covid-19 devido ao surto e enfatizou que o contágio do hantavírus é muito raro.
Tripulação permanece em quarentena
O navio atracou em Roterdã na segunda-feira (18). Os tripulantes remanescentes estão em quarentena a bordo, sob monitoramento de dois médicos. Conforme a Oceanwide Expeditions, todos permanecem assintomáticos.
Parte da tripulação já desembarcou: vinte tripulantes e dois membros da equipe médica do RIVM, instituto nacional de saúde holandês, foram encaminhados para uma instalação especializada em quarentena. Outros cinco tripulantes permanecem no navio e desembarcarão posteriormente, seguindo protocolos sanitários.
A Oceanwide Expeditions contratou o Grupo EWS, especializado em desinfecção de embarcações, para realizar uma limpeza completa do MV Hondius. O procedimento, que utilizará cloro e peróxido, deve durar de três a quatro dias, dependendo das inspeções das autoridades sanitárias. Segundo a companhia, o grupo responsável já atuou em navios durante a pandemia de Covid-19 e garantiu que, após a limpeza, a embarcação estará segura para retomar as operações.
Casos confirmados e origem do surto
Autoridades de saúde da Colúmbia Britânica, no Canadá, confirmaram no último domingo (17) o primeiro caso de hantavírus na América do Norte relacionado ao surto do cruzeiro. O paciente, um dos quatro canadenses que estavam em isolamento após desembarcarem no início do mês, testou positivo para a cepa Andes do vírus, conhecida por raros episódios de transmissão entre humanos.
Com esse novo caso, o número de infecções globais ligadas ao cruzeiro chega a 12, incluindo três mortes. Segundo autoridades internacionais, o surto teria começado após um casal holandês contrair o vírus durante observação de aves na Argentina. A cepa Andes do hantavírus é endêmica na Argentina, onde a viagem teve início em 1º de abril, e normalmente é transmitida pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes fechados. Esta cepa é a única variante do hantavírus capaz de ser transmitida entre pessoas.
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