Vida e Saúde

Dieta por delivery: praticidade de pedir comida saudável pode ajudar no combate à depressão

Pesquisadores afirmam que um dos obstáculos durante a depressão é que a própria condição torna o planejamento, as compras e o preparo das refeições muito mais difíceis no dia a dia

Agência O Globo - 18/05/2026
Dieta por delivery: praticidade de pedir comida saudável pode ajudar no combate à depressão
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Pedir comida por aplicativo — desde que não seja apenas fast food — pode ir além de matar a fome. Um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, aponta que facilitar o acesso a refeições saudáveis ​​por meio de serviços de entrega pode contribuir para a melhora dos sintomas da depressão.

“Um dos maiores obstáculos para uma alimentação saudável durante a depressão é que a própria depressão torna o planejamento, as compras, o preparo das refeições e a tomada de decisões muito mais difíceis” , explica Ashley Gearhardt, professora de Psicologia e principal pesquisadora do estudo.

De acordo com Gearhardt, o serviço de entrega de alimentos, especialmente via aplicativos, reduz esse fardo, tornando a escolha por uma alimentação saudável mais “fácil e conveniente”.

Pesquisas anteriores já continham dietas mais saudáveis ​​e minimamente processadas para redução dos sintomas depressivos. No entanto, seguir essas dietas pode ser um desafio para pessoas que enfrentam fadiga, baixa motivação, estresse e dificuldades na tomada de decisões.

No estudo, os participantes seguiram um plano alimentar de duas semanas com alimentos minimamente processados. Parte deles recebeu orientação nutricional e preparada como refeições em casa, enquanto outro grupo recebeu refeições prontas e minimamente processadas por meio de um serviço de entrega comercial.

Ambos os grupos melhoraram na qualidade da dieta, mas os que receberam refeições por entrega tiveram reduções maiores nos sintomas depressivos .

A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, foi realizada em pequena escala e teve como objetivo principal testar as previsões da proposta, sem fornecer orientações clínicas definitivas. Apesar disso, os autores destacam que os resultados reforçam as evidências de que a nutrição pode exercer papel relevante no tratamento da saúde mental, e que a praticidade pode trazer benefícios únicos.

“Devemos pensar na nutrição como mais uma ferramenta importante no arsenal da saúde mental, e não como um substituto para terapia ou medicação”, ressalta Gearhardt.

Muitos dos participantes já faziam uso de terapia, medicação ou ambos, mas continuavam apresentando sintomas de depressão. O estudo sugere que tornar a mudança alimentar mais conveniente e com suporte pode complementar esses tratamentos.

Embora sejam necessários estudos maiores e de longo prazo, os pesquisadores acreditam que programas de entrega de refeições e apoio nutricional, no futuro, integram abordagens de saúde voltadas para a saúde vulnerável, como pessoas com depressão grave, mães no pós-parto ou indivíduos em transição da internacionalidade psiquiátrica.