Vida e Saúde

Pilates vira aliado de idosos contra dores, quedas e perda de autonomia

Fisioterapeuta afirma que a prática também melhora autoestima, bem-estar emocional e convivência social

Agência O Globo - 16/05/2026
Pilates vira aliado de idosos contra dores, quedas e perda de autonomia

Com a chegada da terceira idade e o crescimento do movimento fitness, cada vez mais idosos têm trocado o sedentarismo por um envelhecimento mais ativo. Entre as atividades que ganharam espaço nessa faixa etária, o pilates se destaca por melhorar equilíbrio, força muscular, autonomia e qualidade de vida.

A aposentada Vera Lúcia de Oliveira, de 72 anos, começou a praticar pilates há três anos, depois que os filhos perceberam dificuldades na sua mobilidade. Como presente de aniversário, cada um deu um mês de aula para a mãe.

— Meus filhos estavam me achando travada, e aí cada um me deu um mês de aula de pilates no meu aniversário. Como tenho três filhos, foram três meses de aula. Depois eu gostei tanto que continuei pagando. Fiquei muito satisfeita com os resultados que o exercício me trouxe e já estou pensando em aumentar para três vezes na semana — conta.

No início, Vera diz que sentia insegurança por nunca ter praticado atividade física antes. Com o passar do tempo, porém, ganhou confiança e percebeu mudanças importantes no corpo e na rotina.

— Antes de começar eu me sentia insegura, mas, com a ajuda da minha professora, isso foi mudando. Hoje me sinto mais disposta, tenho mais força e subo e desço escada com facilidade. Para mim, está sendo ótimo — afirma.

Além dos benefícios físicos, Vera garante que a prática também ajudou no bem-estar emocional.

A fisioterapeuta Fernanda Giglio, fundadora do Espaço Saúde do Corpo e professora de Vera, afirma que a procura de idosos pela modalidade aumentou significativamente nos últimos anos, impulsionada principalmente pela maior circulação de informações sobre saúde e envelhecimento ativo.

— Hoje os idosos chegam mais conscientes dos benefícios da atividade física. As redes sociais e os meios de comunicação ajudaram muito nisso — diz.

Fernanda explica que as principais queixas dos novos alunos costumam estar relacionadas à perda de mobilidade e à insegurança para realizar tarefas simples do cotidiano. Falta de equilíbrio, medo de cair e dores no corpo aparecem entre os relatos mais frequentes. Em muitos casos, atividades consideradas básicas, como calçar os sapatos, subir escadas ou mudar de posição na cama, passam a exigir esforço e acabam comprometendo a independência dos idosos.

— Muitos chegam com dificuldade para calçar os sapatos, cruzar as pernas ou até mudar de posição na cama. Com o pilates, eles recuperam esses movimentos aos poucos — explica.

Segundo a fisioterapeuta, o pilates permite um trabalho individualizado e adaptado às necessidades de cada pessoa, o que torna a prática mais segura para a terceira idade. O uso de acessórios e de exercícios que simulam movimentos do dia a dia ajuda os alunos a recuperarem confiança no próprio corpo, além de fortalecer musculatura, coordenação e equilíbrio. Ela também destaca que as turmas reduzidas facilitam o acompanhamento profissional e garantem mais segurança durante as aulas.

Fernanda afirma ainda que os impactos positivos vão além da parte física. Para ela, a prática também melhora autoestima, bem-estar emocional e convivência social, já que muitos idosos encontram nas aulas um espaço de troca e pertencimento.

— Muitos chegam inseguros, achando que já passaram da idade de começar. Mas basta uma aula para perceberem que ainda são capazes — conta.

O médico do esporte Marcos Teixeira afirma que a atividade física desempenha um papel decisivo na forma como as pessoas envelhecem. Segundo ele, existe uma diferença importante entre a senescência, que é o envelhecimento natural do organismo, e a senilidade, caracterizada por um declínio físico e cognitivo mais acentuado, capaz de comprometer a autonomia do idoso. Para o especialista, manter o corpo ativo é uma das principais estratégias para garantir longevidade com qualidade de vida.

— A atividade física ajuda justamente a envelhecer com mais saúde e independência — afirma.

Teixeira explica que o pilates reúne características fundamentais para a terceira idade, como fortalecimento muscular, melhora da mobilidade, equilíbrio e coordenação motora. Esses fatores são considerados essenciais tanto para a prevenção de doenças quanto para a redução do risco de quedas, um dos principais motivos de internação entre idosos no país. Segundo ele, quando associado ao acompanhamento adequado, o exercício também ajuda no combate à sarcopenia, perda natural de massa muscular causada pelo envelhecimento.

— O corpo responde aos estímulos que recebe. Se há atividade física, ele continua priorizando força, equilíbrio e coordenação. Isso reduz a perda muscular — diz.

O médico destaca ainda que idosos fisicamente ativos costumam apresentar envelhecimento mais lento e menos suscetível a doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e osteoporose. Além disso, a prática regular de exercícios fortalece os ossos e reduz o risco de fraturas graves, especialmente em casos de queda.

— As quedas estão entre as principais causas de internação nessa faixa etária, principalmente quando há fratura de fêmur. Quanto mais ativo o idoso é, maior tende a ser a proteção muscular e óssea — explica.

Para Teixeira, outro ponto importante é o impacto social e emocional das atividades em grupo. Ele afirma que ambientes como os estúdios de pilates ajudam a combater o isolamento, estimulam a convivência e incentivam a continuidade da atividade física.

— Cria-se uma rede de incentivo. Um aluno motiva o outro, e isso ajuda até na continuidade da atividade física — afirma.