Vida e Saúde
Ypê: quais os riscos da bactéria encontrada? Especialistas explicam
Risco é maior para imunossuprimidos, mas orientação é que todos os consumidores suspendam o uso dos produtos recolhidos pela Anvisa
Mesmo após obter um efeito suspensivo contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que determinou o recolhimento e a suspensão de parte de seus produtos por suspeita de contaminação microbiológica, o órgão sanitário brasileiro continua a contraindicar o uso dos itens.
Vigilância:
Após recolhimento:
“A Anvisa recomenda que os consumidores não utilizem os produtos indicados, por segurança”, diz a agência em nota. A orientação veio após inspeções de vigilância sanitária constatarem a incapacidade da empresa de resolver falhas na produção, identificadas principalmente em novembro do ano passado, quando foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras.
Riscos da bactéria
Esse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de hospitalização, afetando principalmente a circulação.
— Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Houve tantas falhas documentais quanto às falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção — diz o diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), Manoel Lara. — De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que pode ser encontrada em diversos líquidos no meio ambiente, além de ser resistente a diversos antibióticos.
Em comunicado divulgado neste sábado, a Ypê informou que manteve "suspensa as linhas de produção de sua fábrica de líquidos desde a última quinta-feira, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes de número de lote final 1 (um)".
A empresa afirma ainda que continua sem produzir na unidade, mesmo tendo obtido o efeito suspensivo da medida da Anvisa, que vedava a produção. O objetivo, segundo nota do fabricante, é “acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização”.
Segundo um estudo publicado na revista Nature, o patógeno causa infecção aguda ou crônica em indivíduos imunocomprometidos com doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística, câncer, traumas, queimaduras, sepse e pneumonia associada à ventilação mecânica, incluindo aquelas causadas pela Covid-19. A OMS incluiu Pseudomonas aeruginosa na lista de patógenos “críticos” em 2024.
Contato com o produto
Segundo o médico infectologista Renato Grinbaum, membro do comitê de infecções comunitárias da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), em pequenas quantidades, pessoas com sistema de defesa saudável não são afetadas por esta bactéria.
O cenário se torna preocupante apenas quando uma bactéria é encontrada em quantidades elevadas, no ambiente hospitalar e em pacientes com defesas comprometidas.
— Neste caso, esta informação só corrobora a questão de quebra de protocolos de segurança na produção, mas não indica risco importante imediato para a população. Deve ser mantida a recomendação de não utilização dos produtos indicados pela Anvisa — afirmou.
A médica alergista Kleiser Mendes, vice-coordenadora do Departamento Científico de Dermatite de Contato da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), sinalizou que o uso de produtos contaminados pode causar irritações.
Segundo um especialista, é aconselhável buscar avaliação médica caso haja sintomas como incidência intensa, observação persistente, lesões ou lesões na pele ou nos olhos, ardor, tolerância, espinhas ou acne súbita, surtos, sinais de infecção ou sintomas após o uso de sprays ou aerossóis contaminados.
— A atenção deve ser maior em crianças, idosos, imunossuprimidos, pessoas com dermatite, feridas na pele, doenças respiratórias ou uso de imunossupressores, porque esses grupos apresentam maior risco de infecções oportunistas — concluiu.
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