Vida e Saúde

Pessoas ansiosas e preocupadas adoecem mais e vivem menos? Novo estudo mostra o contrário

Trabalho foi publicado na revista científica Science Bulletin

Agência O Globo - 09/05/2026
Pessoas ansiosas e preocupadas adoecem mais e vivem menos? Novo estudo mostra o contrário
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade Normal de Pequim revelaram que nem toda ansiedade e preocupação são prejudiciais à saúde. Um novo estudo, baseado em dados de personalidade de mais de 400 mil pessoas, identificou que um tipo específico de ansioso apresenta 35% menos risco de morte e menor incidência de diversas doenças relacionadas ao estilo de vida.

Esse perfil, denominado ERIS (Reatividade Emocional e Estabilidade Interna), caracteriza-se por alta preocupação, mas baixa instabilidade de humor. Trata-se de um dos dois principais tipos de neuroticismo — um dos cinco grandes traços de personalidade — normalmente associado a altos níveis de ansiedade e preocupação.

Indivíduos com pontuação elevada em ERIS tendem a se preocupar e sentir ansiedade, mas não sofrem variações intensas de humor ou crises emocionais, como ocorre na dimensão mais prejudicial do neuroticismo.

Ao invés de tratar o neuroticismo como uma característica única, os pesquisadores mapearam padrões de resposta emocional entre a população. Emergiram dois perfis principais: o ERIS e o neuroticismo clássico, este último associado a efeitos mais negativos. As conclusões foram publicadas na revista Science Bulletin.

Pessoas com alto ERIS apresentam probabilidade significativamente menor de fumar ou adotar comportamentos de risco, maior facilidade em abandonar o tabagismo, tendência a praticar exercícios moderados e maior busca por cuidados médicos preventivos.

A explicação pode estar nos exames cerebrais: indivíduos com perfil ERIS demonstraram maior atividade em estruturas subcorticais antigas, como a amígdala, o hipocampo, o tálamo e o cerebelo — regiões relacionadas a respostas básicas de medo e ameaça, típicas de mecanismos de defesa animal.

Isso sugere que pessoas com alto ERIS possuem um sistema de defesa atuante, que as afasta de riscos evitáveis. Já os portadores do neuroticismo clássico apresentam maior atividade em áreas cerebrais ligadas à regulação emocional e ao automonitoramento, indicando menor eficácia no controle das emoções negativas.