Vida e Saúde
Era para ser férias: médico embarca em cruzeiro e acaba atuando no combate a surto de hantavírus em alto-mar
Oncologista americano assumiu atendimento de passageiros após médico oficial do navio adoecer; ao menos três pessoas morreram no cruzeiro MV Hondius
O que seria uma viagem de descanso transformou-se em uma inesperada missão médica para o oncologista americano Stephen Kornfeld. Em 1º de abril, ele embarcou no cruzeiro polar MV Hondius para curtir as "férias dos sonhos", mas acabou no centro do atendimento a passageiros durante um surto de hantavírus que resultou em pelo menos três mortes no Atlântico.
Com seis casos confirmados entre oito suspeitos a bordo, o surto também atingiu o médico oficial do navio, que partiu de Ushuaia, na Argentina. Diante da situação, Kornfeld assumiu a responsabilidade de cuidar dos passageiros infectados.
O MV Hondius deve chegar a Tenerife, nas Ilhas Canárias, neste domingo, transportando cerca de 146 passageiros e tripulantes que permaneceram a bordo após vários dias ancorados na costa de Cabo Verde. A evacuação contará com o apoio dos ministros da Saúde e do Interior da Espanha, sob coordenação do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Em entrevista à CNN, Kornfeld relatou que se tornou o "cuidador oficial do navio" por acaso. Ao saber que um turista estava doente, ofereceu auxílio ao médico do navio. Após a morte de um passageiro holandês em 11 de abril e o surgimento de novos casos sintomáticos, o trabalho se intensificou rapidamente.
“Ao longo de 12 a 24 horas, ficou claro que havia várias pessoas doentes e que seus estados de saúde estavam se agravando”, contou Kornfeld ao jornal.
Ele descreveu que a esposa do passageiro holandês começou a apresentar sintomas inespecíficos, como confusão mental e fraqueza. Ela faleceu após ser evacuada do navio e levada a um hospital em Joanesburgo, África do Sul. Kornfeld também observou sintomas virais comuns entre os passageiros, como febre, fadiga, rubor, desconfortos gastrointestinais e falta de ar.
“Naquele momento, nenhum dos dois parecia estar gravemente doente. Mas o temor com o hantavírus é que o quadro pode evoluir de estável para grave muito rapidamente”, explicou.
Autoridades de saúde de diversos países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, monitoram os tripulantes do Hondius, já que o hantavírus pode ter período de incubação de uma a seis semanas antes do início dos sintomas.
À emissora KTVZ21, Kornfeld relatou que sua oferta inicial de ajuda resultou em jornadas de até 18 horas de trabalho. “Você apenas tenta fazer o melhor possível diante das circunstâncias, com recursos limitados em um cruzeiro”, afirmou.
Kornfeld sentiu alívio ao ver que os passageiros infectados conseguiram ser evacuados para receber tratamento hospitalar. “No caso do hantavírus, a taxa de sobrevivência depende muito do acesso a cuidados médicos intensivos no momento certo. Em um navio, isso não seria possível”, concluiu.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) classificou o episódio como resposta de emergência de “nível 3”, o menor grau de alerta sanitário da agência. Mesmo assim, autoridades internacionais reforçam que o risco de disseminação ampla permanece baixo.
Mais lidas
-
1INFRAESTRUTURA
Paulo Dantas anuncia triplicação da rodovia entre Maceió e Barra de São Miguel
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quando começa a valer a escala 5x2?
-
3JULGAMENTO DO CASO HENRY BOREL
Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões sofridas na infância
-
4EDUCAÇÃO
Vestibular Unicamp 2027: confira os temas mais recorrentes na prova
-
5RESGATE NO LITORAL PAULISTA
Mulher resgatada após mais de 40 horas no mar recebe alta: 'Continuem orando pelo meu colega'