Vida e Saúde
Perfeccionismo pode atrapalhar mais do que ajudar, alertam especialistas
Psicóloga explica diferença entre perfeccionismo saudável e aquele que causa ansiedade e depressão
O perfeccionismo, frequentemente visto como uma virtude ou até mesmo um diferencial em entrevistas de emprego, pode se tornar um obstáculo significativo quando atinge níveis elevados. Segundo especialistas, o chamado perfeccionismo desadaptativo pode prejudicar profundamente o cotidiano das pessoas.
De acordo com Gabrielle Ilagan, doutoranda em psicologia na Universidade Fordham, nos Estados Unidos, o perfeccionismo desadaptativo é caracterizado por padrões excessivamente elevados e inflexíveis. "Você não consegue alcançar certo nível, mas, diferente de um perfeccionismo leve, não consegue deixar aquela tarefa para trás", explica.
Outro sinal de alerta é quando a autoestima está fortemente atrelada à busca pela perfeição. "Você encara os erros como uma falha sua como pessoa, e não apenas como uma falha no seu desempenho", alerta Ilagan. Sentir culpa por um erro é compreensível, mas sentir vergonha ao ponto de acreditar que isso diminui seu valor pessoal é um indício preocupante.
O medo exagerado de errar pode levar ao esforço excessivo, à procrastinação ou à evitação de tarefas, comprometendo o rendimento e a saúde mental. "O medo do fracasso pode ser tão forte que impede a conclusão ou até mesmo o início de uma tarefa, caso a pessoa tema não conseguir realizá-la perfeitamente", afirma a especialista.
Esse tipo de perfeccionismo está frequentemente associado a quadros de ansiedade e depressão. "A pessoa sente que nunca consegue alcançar o que deseja, acredita que precisa se esforçar mais que os outros ou acha que só será aceita se for perfeita", diz Ilagan.
A ansiedade gerada por esse padrão pode resultar em preocupações constantes com erros ou fracassos, além de uma tendência a superestimar as consequências negativas de falhas. "Essa ansiedade pode levar ao trabalho excessivo ou ao esforço extremo para esconder falhas dos outros", pontua.
O perfeccionismo também pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares, a partir da busca incessante pelo corpo considerado perfeito. "Padrões rigorosos sobre o peso ou uma autoestima dependente da imagem no espelho são sinais de alerta", explica. Segundo Ilagan, esses fatores aumentam o risco de transtornos alimentares.
Entre as chamadas "armadilhas de pensamento" do perfeccionismo desadaptativo, destacam-se o pensamento "tudo ou nada" e a "catastrofização". Nesses casos, a pessoa acredita que, se não for a melhor em uma competição ou não conquistar determinado objetivo, é um fracasso completo.
Outra armadilha comum é a desqualificação do positivo, quando até mesmo conquistas são vistas de forma negativa. "Por exemplo, alguém pode concluir um projeto excelente e receber elogios, mas desvalorizar o próprio sucesso pensando: 'Só tive sorte de meu chefe ter gostado'", conclui Ilagan.
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