Vida e Saúde
Uso de telas antes de dormir nem sempre prejudica o sono, aponta estudo
Pesquisa analisou dados de mais de 4 mil pessoas entre três e 25 anos
Uma recomendação tradicional para que as crianças evitem o uso de telas antes de dormir foi revisitada por uma equipe de pesquisadores australianos. De acordo com o estudo conduzido pela Universidade Deakin em parceria com a Universidade de Queensland, os efeitos do uso de dispositivos eletrônicos à noite podem variar de acordo com o perfil de cada indivíduo.
Impactos variados de pessoa para pessoa
"É claro que, se seu filho fica acordado até as 3 da manhã grudado no celular, isso não será bom para ele. Se um padrão comportamental se desenvolve ao longo do tempo, em que o uso de telas está claramente afetando a capacidade da criança de dormir, isso obviamente é preocupante", explica o pesquisador e autor principal Matthew Bourke.
Análise detalhada dos hábitos
O estudo revisou 25 pesquisas anteriores, totalizando dados de 4.562 participantes com idades entre três e 25 anos. Os resultados mostram que, em alguns casos, o uso de telas pode até ajudar a relaxar, desconectando o usuário de fatores estressantes do dia, acalmando pensamentos e equilibrando o humor.
“No passado, uma recomendação era para crianças, e adultos também, evitar telas a todo custo se quiséssemos ter uma boa noite de sono. O que nossa pesquisa revelou foi que existem muitos fatores que influenciam a forma como o tempo gasto em frente às telas nos afetando à noite. Isso realmente depende de cada indivíduo”, esclarece Bourke.
Resultados surpreendentes
A análise dos cientistas avaliou o impacto do uso excessivo de telas em um único dia sobre o sono naquela mesma noite, considerando tempo total de sono, qualidade, tempo necessário para adormecer e frequência de despertares noturnos.
O resultado revelou que, embora o tempo diário em frente às telas possa atrasar a hora de dormir, o impacto na duração, eficiência ou qualidade do sono é mínimo. Isso se aplica tanto a adultos quanto a crianças.
"Muitas pessoas, inclusive eu, relaxam usando telas no final do dia. O interessante deste estudo é que, quando os jovens usavam telas mais do que o normal, isso não teve um grande impacto na duração ou na qualidade do sono", relata Bourke.
Tipos de uso e recomendações
O estudo também investigou se diferentes formas de uso — como assistir à televisão, jogar videogame ou acessar redes sociais — alteravam o impacto sobre o sono. “Analisamos as diferenças entre o uso ativo e passivo de telas, atividades como assistir televisão versus jogar videogame ou usar redes sociais e, curiosamente, não encontramos nenhuma diferença significativa no impacto sobre o sono”, destaca Bourke.
Por fim, os pesquisadores recomendam que a análise do uso de telas seja feita de forma individualizada, levando em conta as necessidades e comportamentos de cada criança.
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